Thursday, December 11, 2008

Apesar do Cristiano ser alto...

Liga portuguesa tem os jogadores mais baixos de toda a Europa
07.12.2008, Victor Ferreira, Público

" A estatura média dos futebolistas da Liga portuguesa é a mais baixa da Europa. Em termos de idade, o campeonato português é dos mais envelhecidos. E, no que toca a estrangeiros, só a Premier League inglesa bate o futebol português, que tem uma das mais baixas presenças de jogadores de selecção. Em resumo, esta é a imagem do principal escalão de futebol profissional em Portugal, de acordo com o primeiro estudo demográfico do futebol europeu, trabalho que vai ser apresentado amanhã, na Suíça, e ao qual o PÚBLICO já teve acesso. Trata-se da maior radiografia alguma vez feita, tirada a partir de uma amostra gigantesca: foram estudadas 30 Ligas europeias, incluindo a de Portugal, num total de 456 clubes e 11.015 jogadores, com dados relativos à corrente época 2008/2009.

Analisando a situação portuguesa, o estudo contabiliza 393 jogadores em 16 clubes, o que dá uma média de 24,5 jogadores por plantel, valor em linha com a média europeia. A idade média dos futebolistas que alinham no escalão principal em Portugal é de 26 anos, o que faz com que seja a nona Liga mais envelhecida, ligeiramente acima da média europeia (25,5 anos)."Os clubes de topo preferem jogadores mais velhos e a presença de jovens tende a aumentar nos clubes mais fracos e Ligas menos competitivas no panorama internacional", explica um dos autores do estudo, Rafaelle Poli, em declarações ao PÚBLICO. A Série A italiana é a mais "experiente", com uma média de idades de 26,9 anos, sendo a Liga croata a mais jovem (média de 24,1 anos).

"O dado mais surpreendente", afirma Poli, "diz respeito à estatura dos futebolistas". Isto porque a altura média dos jogadores é superior a 1,80m nas 30 Ligas estudadas. "São todos muito grandes", destaca o investigador do Observatório dos Jogadores Profissionais de Futebol (OJPF) - a entidade que promoveu o estudo demográfico e que funciona como um laboratório associado do Centro Internacional de Estudos do Desporto da Universidade de Franche-Comté (França) -, sendo que os mais pequenos jogam em Portugal: 1,802m é a altura média dos futebolistas que jogam na Liga. Menos 3,1cm que a estatura média da Liga mais alta (República Checa, 183,3cm), mas, ainda assim, à volta de quatro centímetros acima da estatura média dos portugueses, como assinala António Veloso, professor de Biomecânica da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), de Lisboa.

Este docente indica, em declarações ao PÚBLICO, que a altura média da população portuguesa "ronda 1,75m a 1,76m", de acordo com os dados antropométricos mais recentes. O impacto dos treinosHá duas formas de explicar esta diferença entre a altura média do futebolista de topo e a restante população. Uma das razões é apontada pelo próprio estudo demográfico que amanhã será divulgado, e está relacionada com a grande presença de jogadores estrangeiros nos plantéis do escalão principal. Mais de metade dos futebolistas não são portugueses, e só a Premier League inglesa bate o campeonato português nesta relação. O

utra explicação para a diferença de quatro centímetros entre a altura média de futebolistas e da população em geral é, de acordo com António Veloso, o "impacto do treino e da preparação no desenvolvimento físico dos atletas". São os chamados factores ambientais, que "não se fazem sentir da mesma forma sobre todos os jogadores" e que podem incluir, por exemplo, o recurso a "hormonas de crescimento".

O especialista em Biomecânica cita o exemplo da estrela argentina do Barcelona, Lionel Messi, atleta que, de acordo com o que foi relatado na imprensa, foi sujeito a um tratamento hormonal deste género para debelar problemas de crescimento durante a infância e adolescência.

Mas o facto de a altura média da Liga ser a mais baixa não representa, por si só, uma desvantagem, destaca Veloso. O exemplo de sucesso de Cristiano Ronaldo serve para explicar quais podem ser as características físicas ideais de um jogador de futebol. "Podemos dividir as pessoas em três categorias: os endomorfos [no limite, são os obesos], os mesomorfos, que se caracterizam por ossos densos e um corpo com propensão para ganhar massa muscular, e os ectomorfos, que são longilíneos mas não têm muito músculo", explica, de forma sucinta, o especialista em Biomecânica. Um obeso pode ser um exemplo de um endomorfo, enquanto o avançado inglês do Portsmouth Peter Crouch (carrasco do V. Guimarães na Taça UEFA) é o exemplo de um ectomorfo.

"Cristiano Ronaldo é um ectomesomorfo, isto é, longilíneo, mas com massa muscular que lhe permite ter explosividade, resistência. Deste ponto de vista, tem o físico ideal", assinala o docente, acrescentando que o avançado do Manchester United é mesmo "o melhor" no universo dos actuais internacionais portugueses, que têm sido alvo de estudo por parte dos investigadores daquela faculdade lisboeta.

No universo dos plantéis da Liga, o do FC Porto é o mais alto (média de 1,824m, superior à média nacional e europeia). No extremo oposto está a formação do Sporting (1,779m), que tem o segundo plantel mais baixo da Europa (ver quadro ao lado). Em termos de idade, o Trofense, que se estreou este ano a jogar no escalão principal do futebol português, tem o plantel mais envelhecido (idade média de 28,24 anos). Pelo contrário, o mais jovem pertence ao Nacional da Madeira (média de 23,28 anos). Em termos absolutos, a idade média mais elevada pertence ao AC Milan (29,27), havendo quatro clubes italianos entre os cinco mais envelhecidos, ao passo que o plantel mais jovem pertence ao OFK de Belgrado (22 anos).

De volta a Portugal, o Belenenses tem a maior percentagem de estrangeiros (72 por cento), ao passo que o Rio Ave tem o plantel mais português (somente 29,2 por cento de estrangeiros). O Benfica é aquele que tem mais jogadores de selecção. No plantel "encarnado", dois em cada três (ou seja 66 por cento) são internacionais. A Naval, pelo contrário, não tem nenhum jogador que represente as cores do seu país.

V.F.
% internacionais
Média europeia 27,8
Média portuguesa 18,3

Plantel mais internacional
Na Europa 88,9% (Man. United)
Em Portugal 66% (Benfica)

% estrangeiros
Média europeia 35,6
Média portuguesa 53,7

Plantel mais estrangeiro
Na Europa 91,7% (Arsenal)
Em Portugal 72% (Belenenses)

Plantel mais nacional
Na Europa 0% (Numancia, entre outros)
Em Portugal 29,2% (Rio Ave)

A altura e a idade contam mais na defesa e na baliza do que no meio--campo e no ataque. A conclusão é dos autores do estudo demográfico dos futebolistas de 30 países europeus. A estatura média de um profissional a jogar na Europa é de 1,817m. Quando se desagrega este indicador por posição do jogador em campo, verifica-se que os guarda-redes são, em média, entre três e dez centímetros mais altos que o resto da equipa. E, na altura de escolher defesas, os clubes também vão à procura de jogadores altos. António Veloso, professor universitário de Biomecânica na Faculdade de Motricidade Humana, considera estas diferenças "evidentes".

"No caso dos guarda-redes, maior altura significa braços mais compridos e, portanto, a possibilidade de cobrir uma área maior junto à baliza", explica. Já para o meio-campo, os clubes parecem preocupar-se mais com as qualidades técnicas e tácticas do que com a dimensão física. Os treinadores não temem apostar em jogadores mais baixos para as posições no centro do terreno, onde a altura é, em média, significativamente mais baixa (1,789m).

Em relação às idades, os resultados são mais ou menos idênticos. Os mais velhos estão nas balizas e nas defesas, sendo os avançados os mais jovens.Um dado quiçá mais preocupante para os clubes portugueses é a fraca presença de jogadores internacionais no campeonato português.

Apenas 18 por cento dos 393 jogadores inscritos na Liga jogam pelas suas selecções. É certo que o êxodo dos melhores portugueses para campeonatos mais competitivos justifica em parte esta realidade, mas, por outro lado, também se evidencia que o escalão principal do futebol luso é ponto de passagem para estrangeiros que não jogam nas respectivas selecções. Algo que é impossível de acontecer em Inglaterra, que tem a maior percentagem de forasteiros, mas só aceita aqueles que têm um número mínimo de internacionalizações. Ou seja, os melhores. 26 anos é a idade média dos futebolistas que alinham em Portugal, o que faz com que seja a nona Liga mais envelhecida. "

Wednesday, November 26, 2008

Os melhores do Calcio

Mesmo a meio da época futebolística, a Associação Italiana de Jogadores de Futebol elege os melhores do campeonato transacto. Eis os nomeados para a época 2007/8. A negrito as minhas escolhas.

Melhor técnico:

Carlo Ancelotti (Milan), Cesare Prandelli (Fiorentina), Luciano Spalletti (Roma)

Melhor árbitro:

Emidio Morganti, Roberto Rosetti, Massimiliano Saccani

Melhor guarda-redes:

Gianluigi Buffon (Juventus), Sebastien Frey (Fiorentina), Júlio César (Inter)

Melhor jogador jovem:

Mario Balotelli (Inter), Marek Hamsik (Napoli), Sebastian Giovinco (Juventus),

Melhor defensor:

Giorgio Chiellini (Juventus), Philippe Mexés (Roma), Alessandro Nesta (Milan)

Melhor jogador italiano:

Alessandro Del Piero (Juventus), Daniele De Rossi (Roma), Andrea Pirlo (Milan)

Melhor jogador estrangeiro:

Kaká (Milan), Zlatan Ibrahimovic (Inter), Adrian Mutu (Fiorentina)

Melhor jogador:

Todos os jogadores nomeados para as outras categorias. Marek Hamsik é a minha escolha.

Monday, November 03, 2008

Lista da lealdade

Top 20 Jogadores com maior lealdade ao clube (no activo)
  • Paolo Maldini - AC Milan - 25 anos
  • Sander Boschker - FC Twente Enschede - 19
  • Roar Strand - Rosenborg BK - 19
  • Ryan Giggs - Manchester United - 19
  • Jean-francois Douence - FC Libourne St Seurin - 18
  • Alon Harazi - Maccabi Haifa - 18
  • Ladislav Pecko - Slovan Bratislava - 18
  • Francesco Totti - AS Roma - 17
  • Pedro Roma - Academica de Coimbra - 17
  • Toni Huttunen - MyPa Anjalankoski - 17
  • Gary Neville - Manchester United - 17
  • Paul Scholes - Manchester United - 17
  • Pavel Verbir - FK Teplice - 17
  • Kim Daugaard - Brøndby IF - 16
  • Steve Harper - Newcastle United - 16
  • Oliver Glasner - SV Ried - 16
  • Jussi Kuoppala - Tampere United - 16
  • Pedro - Paços de Ferreira - 16
  • Vladimir Maminov - Lokomotiv Moskva - 16
  • Alessandro Del Piero - Juventus FC - 16

Saturday, October 25, 2008

Estádios Europeus 2007/2008: médias

Segundo um estudo da football finance, o estádio com melhor média de espectadores da época passada foi o Santiago Bernabéu, casa do Real Madrid. A única causa de espanto foi ter destronado o Manchester Utd da primeira posição, porque de resto, são dois clubes muito equivalentes na actualidade.
Causa assombro sim, o terceiro classificado: Borussia de Dortmund. Já se sabia que os seus adeptos eram fantásticos, mas não fazia qualquer ideia das massas que por lá proliferam.
Quanto aos clubes portugues, destaque óbvio para os 3 grandes, os únicos a figurar na lista dos 50+
Segue a tabela, com a cor azul a indicar se a média de espectadores equivale a uma temporada positiva e a vermelho, a uma negativa (indicação por mim realizada, para comprovar que muito público no estádio não equivale exactamente a uma boa temporada):

Média de assistências nos estádios 2007/2008:

  1. Real Madrid CF (Espanha) - 76.200
  2. Manchester United (Inglaterra) - 75.690
  3. Borussia Dortmund (Alemanha) - 72.500
  4. Bayern Munique (Alemanha) - 69.000
  5. FC Barcelona (Espanha) - 67.560
  6. Schalke 04 (Alemanha) - 61.275
  7. Arsenal FC (Inglaterra) - 60.070
  8. Celtic FC (Escócia) - 56.675
  9. AC Milan (Itália) 56.640
  10. Hamburguer SV (Alemanha) - 55.365
  11. Olympique Marseille - (França) - 52.600
  12. Newcastle United (Inglaterra) - 51.324
  13. Internazionale (Itália) - 51.210
  14. VfB Stuttgart (Alemanha) - 50.445
  15. FC Rangers (Escócia) - 49.145
  16. Ajax (Holanda) - 49.125
  17. Eintracht Frankfurt (Alemanha) - 48.325
  18. Hertha BSC (Alemanha) - 45.440
  19. Atlético de Madrid (Espanha) - 45.255
  20. Feyenoord (Holanda) - 44.620
  21. FC Koln (Alemanha) - 43.740
  22. Liverpool FC (Inglaterra) - 43.534
  23. FC Nuremberg (Alemanha) - 43.450
  24. Sunderland (Inglaterra) - 43.343
  25. Manchester City (Inglaterra) - 42.126
  26. Chelsea FC (Inglaterra) - 41.396
  27. SS Napoli (Itália) - 40.780
  28. Valencia (Espanha) - 40.710
  29. Borussia Munchengladbach (Alemanha) - 40.250
  30. Hannover 96 (Alemanha) - 40.235
  31. Werder Bremen (Alemanha) - 40.310
  32. Aston Villa (Inglaterra) - 39.870
  33. FC Sevilla (Espanha) - 39.555
  34. SL Benfica (Portugal) - 38.709
  35. FC Porto (Portugal) - 38.630
  36. Real Bétis (Espanha) - 37.420
  37. Olympique Lyonnais (França) - 37.295
  38. AS Roma (Itália) - 37.275
  39. Everton FC (Inglaterra) - 36.955
  40. Paris Saint-Germain (França) - 36.945
  41. Athletic Bilbao (Espanha) - 36.235
  42. Tottenham Hotspurs (Inglaterra) - 35.966
  43. Munique 1860 (Alemanha) - 35.070
  44. RC Lens (França) - 34.655
  45. West Ham United (Inglaterra) - 34.600
  46. PSV Eindhoven (Holanda) - 33.510
  47. Fiorentina (Itália) - 31.385
  48. Derby County (Inglaterra) - 30.870
  49. Sporting CP (Portugal) - 30.721
  50. Real Zaragoza (Espanha) - 30.710

Bola de Ouro: os candidatos e os lobbys

Como havia sido dito por este blog, a decisão será entre os campeões do campeonato europeu de selecções e um dos vencedores do campeonato europeu de clubes e ainda um menino prodígio à mistura que nada ganhou, mas ainda assim encantou. Segue a análise:

Messi: Não obstante de ser um magnífico jogador, o argentino não ganhou nada no ano de 2008. É certo que realizou jogadas de fintar toda a equipa adversária e marcar golo (fazendo lembrar o aparecimento de Ronaldo, o careca) e que se trata de um jogador que leva imenso público aos estádios e televisões, contudo parece-me que o facto de ele estar nesta votação é meramente fruto de um lobby interno do L'Equipe, isto é, um lobby que prefere premiar a magia e o encanto que um jogador propicia, não importando a quantidade de títulos que erga nesse ano. Basta por exemplo referir Figo, que ganhou a Bola de Ouro num ano que não conquistou nenhum troféu para o seu extenso palmáres. Por isto mesmo é que, no momento, Messi é um dos maiores candidatos ao troféu.

Casillas: Campeão europeu por Espanha, Prémio Zamora que premeia o guarda-redes menos batido do campeonato espanhol e Campeão Espanhol pelo Real Madrid, clube de sempre. Para Espanha, que não vê em Casillas um factor de desagregação, é este ano ou nunca mais. É sem sombra de dúvida, um candidato maior, que conta com o lobby carreira para atingir a Bola de Ouro.

Xavi: Apesar de relativamente novo, já conquistou praticamente tudo, o prémio carreira já lhe podia ser atribuído e além disso, tem também magia nos pés. Compensa a falta de títulos pelo Barcelona com a eleição de melhor jogador do Euro2008. É 0 candidato menos contestado , o que por si só pode constituir um lobby.

Torres: Fruto do lobby estatístico, que ousa pô-lo à mesma condição de Ronaldo nos golos marcados e do lobby da estreia, que premeia jogadores que não acusam a condição da mudança de clube no ano do prémio.

Cristiano Ronaldo: De Ronaldo pode dizer-se que fez o impensável: perdeu os seus lobbys mais fortes depois de ter consumado uma grande temporada, ou seja, após ter marcado sabe-se-lá-quantos-golos pelo Manchester Utd, ganho a Champions e a Bola de Ouro, conseguiu através da novela da transferência do Real Madrid, perder o apoio do lobby inglês (o que defende a Premierleague como melhor campeonato). Além disso, depois de declarações como "mereço ganhar a Bola de Ouro" arrisca-se a perder de vez o lobby da postura e atitude para com o público (Messi dá-lhe uma abada neste aspecto). Por fim, arrisca-se a perder o lobby português (ou melhor, o dos pequenos países) com atitudes como a revelada em Braga no jogo da selecção.
Para quem quer um futebol a dar uma imagem de profissionalismo e de respeito pelo adversário e público, Ronaldo não é certamente a melhor escolha no momento.


Ainda assim e pelo que fez durante 2008, Ronaldo é o meu eleito.

Lamento e fuga para a frente

Antes de mais, lamentamos a ausência prolongada de escrita neste blog. Por motivos pessoais/profissionais e motivacionais o blog passou um período demasiado longo de marasmo. Como tal, é tempo de "comeback" em grande: vamos falar do assunto deixado pendente - a bola de ouro - e de uma estatística que fala por ela mesmo.

Monday, August 04, 2008

Bola de Ouro: quem ganhará?

Antes do Europeu a decisão era fácil: Cristiano Ronaldo. A temporada que fez ao nível de clubes foi avassaladora e deixou a decisão praticamente tomada. Porém, a mediana performance do português no Europeu fez com que outros nomes espreitassem, tornando a escolha mais renhida: são esses nomes os de Iker Casillas e de Fernando Torres.

O primeiro foi campeão espanhol e ganhou o Europeu, aliando ainda o premio Zamora (guarda-redes menos batido da La Liga) às suas conquistas; quanto ao segundo, ganhou igualmente o Europeu, foi decisivo na final ao marcar o golo da vitória e foi o 2º melhor marcador em Inglaterra. Bem vistas as coisas, a decisão é agora árdua, garantindo que tudo o que os jogadores façam até Novembro/Dezembro possa ser decisivo para o voto do júri.

Para ajudar a ver o panorama geral, recorramos às estatísticas:







Para mim é claro: pela carreira escolho Casillas. Pela performance global, é Cristiano Ronaldo. Talvez pelo excesso de mediatismo do madeirense, fico-me por Casillas. Seria justo e bom para o futebol a escolha em Casillas pela representação do profissionalismo, solidariedade e trabalho.

Ao invés, se Ronaldo ganhar será o triunfo dos números, do individualismo e também do futebol negócio. O que não impede que, caso ganhe, seja completamente justo e merecido.

Friday, August 01, 2008

Os clubes "leiteiros" I

No futebol há clubes que funcionam de forma bastante diferente dos outros, consoante a sua visão económica do desporto, são eles:
  • clubes que, fruto da sua extensa massa adepta, são naturais investidores e não de preocupam em demasia com um retorno pela via de vendas de jogadores;
  • existem igualmente clubes que vivem à mercê dos bons resultados desportivos e da angariação de patrocinadores, vendendo e comprando jogadores sob uma lógica de equilíbrio;
  • existem ainda clubes que são dependentes das verbas que o governo da região concede, que vivem sob a constante ameaça de desaparecimento;
  • por fim, certos clubes têm uma visão do futebol como um negócio adaptado à ambição, isto é, clubes que para crescerem, compram barato, formam e depois vendem caro, isto é, os clubes que dão a matéria-prima aos gigantes da Europa - os leiteiros.
São destes últimos clubes que vos quero falar daqui em diante. Um dos exemplos mais claros desse modo de ver o futebol é o Olympique Lyonnais, ou como é conhecido na gíria, o Lyon.

Presidido desde 1987 por Jean-Michel Aulas, o clube havia vivido até aí como um parente pobre do campeonato francês, nunca se conseguindo impôr entre os mais fortes. Com uma visão de investimento, Aulas dotou o clube de infra-estruturas e acima de tudo, de sentido organizacional. No inicio da década de 90 e sob a orientação de Domenech, o clube conseguiu fixar-se na Ligue 1, aliando organização à ideia de formação. Escalando posições na Liga e fazendo as contratações certas, foi sem surpresa que o Lyon passou a estar cotado como favorito à conquista do título, algo que veio a acontecer em 2001. Pensou-se que a ideia de Aulas estava concretizada, mas não, o objectivo era outro: o da conquista francesa e europeia. Mas como consegui-lo numa era de "tubarões", em que os melhores jogadores são logo detectados e comprados, deixando um vazio difícil de preencher?

Para responder a isso basta ver quanto custou em média cada jogador do plantel actual do Lyon: Retirando três ou quatro jogadores formados pelo clube, cada restante jogador custou em média 3 a 5 milhões de euros. Tudo somado dá uma soma gritante, mas não passa tudo do resultado de anos a vender autênticas jóias acima de 15 milhões de euros, dando esse dinheiro para comprar jogadores de qualidade a nível interno e a preço mais razoável do que a campeonatos estrangeiros. Para melhor analisarmos as contas do Lyon, eis uma lista curta de negócios brilhantes efectuados nos últimos anos pelo clube:
  • Sylvain Wiltord (Custo zero do Arsenal, 1M p Rennes)
  • Florent Malouda (20M p/Chelsea)
  • Grégory Coupet (1,5M p/ Atl. Madrid)
  • Tiago (10M ao Chelsea, 13M p/ Juventus)
  • Essien (8M ao Bastia, 38M p/ Chelsea)
  • Mahamadou Diarra (€26 million p/ Real Madrid)
  • Alou Diarra (8M p/ Bordeaux)
  • John Carew (10M ao Besiktas, p/Aston Villa por Baros)
  • Nilmar (5M ao Internacional PA, 7M p/Corinthians)
  • Luyindula (10M p Ol. Marselha)
  • Ben Arfa (Escolas, 8M p/ Ol. Marselha)
  • Abidal (15M p/ Barcelona)
No total de vendas a módica quantia de 147.5M de Euros. Mas a chave não está aí, mas sim em quanto o conjunto dos jogadores custaram: ainda que haja pouca informação, julga-se que custaram à volta de 40 a 50M. Surpreendente. E aina mais se tivermos em conta que o clube ganhou todos os títulos franceses desde 2001, isto é, sete títulos consecutivos, com vários treinadores e jogadores diferentes.

A explicação para o sucesso, na minha perspectiva está claramente na capacidade de comprar bons jogadores a preços razoáveis, passar-lhes a identidade e cultura do clube (Juninho, Sonny Anderson e Coupet - entretanto vendido - são figuras exímias dessa tarefa) e dá-los a conhecer na maior competição continental - a Champions League - sem medo de os atirar às feras, garantindo-lhes igualmente a visibilidade necessária para que sejam chamados às respectivas selecções e o seu valor de mercado aumente e seja assim vendido por uma excelente quantia a um gigante da Europa. Ao jogador apenas é-lhe pedido que jogue tudo aquilo que sabe, sem pressões extra*. Aos clubes que os contratam, apenas se pede que tenham dinheiro (fazem parte do primeiro grupo de clubes que referi anteriormente).
Para finalizar, não há bela sem senão. Ao vender as suas melhores unidade, o clube perde as forças necessárias para enfrentar a Champions de maneira equivalente aos gigantes que fornece. Se bem que consiga garantir de forma mais ou menos fácil a Ligue 1, ao nível da Champions o clube ainda não conseguiu passar o trauma dos quartos-de-final. Ainda assim, e tal como o FC Porto o fez, pode ser que, aquando uma excelente fornada de jogadores e um treinador ambicioso, o clube consiga finalmente a glória europeia. Neste ano o Lyon conta com o poder de fogo de Benzema, a atitude ofensiva de Källström, o dinamismo de Toulalan, a vontade de Lloris, a força de Mensah, o virtuosismo de César Delgado, a ânsia de Baros, a finalização de Fred e, claro, o eterno Juninho. Motivos mais que suficientes para sonhar.

Tuesday, July 29, 2008

Comentário ao Apito Final

A culpa não é dos órgãos de decisão, mas sim de quem os nomeia ou vota.

Monday, July 28, 2008

João Pinto: herói?

Face à poética "no fim são todos bons" aplicada ao final da carreira futebolística de João Vieira Pinto, tenho que deixar aqui bem expressa a minha opinião: João Pinto foi de facto um jogador marcante das últimas duas décadas, porém, não chegou a ser nem um décimo do jogador que prometeu.

Desde cedo visto como o mais brilhante jogador das fornadas de Queiroz (Riade e Lisboa), João Pinto começou a carreira logo na forma que viria a caracterizar todo seu percurso, isto é, de forma muito irregular. Começou no excelente Boavista de ínicios de 90, tentou a sua sorte em Espanha (Atlético Madrid B), não tendo sido bem sucedido, voltou depois ao Boavista em 1991, de onde deu o salto para o Benfica em 1993 onde por fim se estabeleceria por quase uma década.

No Benfica, João Pinto foi "Menino de ouro", embora só na época 93/94 tenha jogado de acordo com tudo aquilo que prometia no inicio da carreira, destacando nesse ano sua melhor exibição de sempre: o hat-trick em Alvalade no célebre 6-3. Seguiram-se anos de tragédia, com João Pinto a ser o capitão da jangada benfiquista, enquanto se sucediam dissabores, culminados no desastre de Vigo (0-7 perante o Celta).

Em 2000 João Pinto seria dispensado do clube que mais fé e paixão depositou nele, acabando por assinar pelo rival de sempre, onde passou a ser tratado como "O grande artista". Em Alvalade João Pinto foi o "pai" de Jardel, de tantas vezes que municiou o matador brasileiro. Aí ganhou títulos e fez a sua melhor temporada depois de 1994. No entanto, foi fugaz a sua passagem pelo Sporting, tendo acabado dispensado por não ter aceite um novo contrato (revisto em baixa face aos problemas económicos do SCP).
Já na casa dos 30, acabou por assinar pelo Boavista onde ainda espalhou alguma classe e acabou a carreira no Braga, entrecortado por boas exibições e lesões.

Ao nível de selecção, fez em 81 jogos a boa soma de 23 golos. Fica no registo o bom Euro96 e o excelente Euro2000, contudo manchados pelo soco no árbitro Sanchéz no Mundial 2002 que lhe fechou as portas da selecção nacional.

Em suma, João Pinto ficou claramente assinalado no mapa do futebol português se tivermos em conta uma análise puramente estatística: foram mais de 600 jogos ao mais alto nível com mais de 150 golos marcados. Do ponto de vista de influência, João Pinto teve cinco ou seis jogos realmente espantosos ,muitos outros onde foi peça fulcral, mas igualmente demasiados episódios negativos, acumulando cartões vermelhos por faltas violentas, quezílias inúteis e agressões sem nexo. O seu temperamento foi o seu principal inimigo, impossibilitando-o de acabar a carreira como o herói que prometeu ser um dia.

A dar uma nota à sua carreira fico-me pelo 14 (0 a 20). Foi sem sombra de dúvida uma carreira rica em acontecimentos, mas ao mesmo tempo fraca em termos de títulos, ficando ainda 'engasgado' o facto de nunca ter tentado uma aventura no estrangeiro quando parecia talhado para isso. Talvez por isso tenha ficado a anos-luz de Figo, Baíae Rui Costa, os outros grandes jogadores da sua geração.

Saturday, July 26, 2008

Ainda sobre os Jogos Olímpicos

Como as surpresas acontecem, aqui fica uma lista engraçada de grandes desilusões no futebol olímpico. Tratam-se de jogos onde as selecções super-favoritas deixaram uma imagem muito cinzenta. Nem são jogos onde o factor sorte tenha tido muita força. Foram sim jogos onde a equipa dada como vencida superou-se e maltrataram os grandes. Acontecerá em Pequim o mesmo?

1968 - Japão 3-1 França
1972 - Irão 1-0 Brasil (Roberto Dinamite, Falcão, Abel Braga...)
1988 - Zâmbia 4-0 Itália (Tassotti, Ferrara...)
1992 - Suécia 1-2 Austrália
1996 - Japão 1-0 Brasil (Bebeto, Ronaldo, Juninho..)
2000 - Camarões 2-1 Brasil (Ronaldinho, Alex, Edu..)
2004 - Iraque 4-2 Portugal (F. Meira, Ronaldo, H. Almeida...)
2008 - ?

Só mesmo o Brasil..

Um verdadeiro luxo, o onze provável do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim:

G: Diego Alves (Almería)
D: Rafinha (Schalke)
D: Thiago Silva (Fluminense)
D: Alex Silva (S. Paulo)
D: Marcelo (Real Madrid)
M: Lucas Leiva (Liverpool)
M: Anderson (Man Utd)
M: Hernanes (Sao Paulo)
M: Diego (Werder Bremen)
A: Ronaldinho (Milan)
A: Pato (Milan)

Quase que dá vontade de dizer: "Assim não vale!"
Ainda assim, também a selecção olímpica portuguesa em 2004 era muito boa e depois foi o que se viu. Há que observar que nesta equipa brasileira existem vários jogadores ainda longe da melhor forma, não fruto de estarem agora na pré-temporada, mas sim por terem realizado no ano transacto muitos mais jogos do que outros jogadores de selecções presentes no torneio.Contudo, e como factos são factos, tudo o que seja não trazerem uma medalha para o Brasil será visto como uma brutal desilusão.

Sunday, June 29, 2008

¡Campeones!

Foi com imenso prazer que assisti à consagração da Espanha como campeã da Europa! Fizeram um jogo fantástico, pleno de inteligência, garra e técnica, as três virtudes sobre as quais assentou este seleccionado vencedor de Aragónes.

No jogo de hoje, viu-se uma vez mais o espírito de equipa que a Espanha teve ao longo do torneio, quando carentes da pontaria de Villa, socorreram-se de Torres, que sempre ambicioso, marcou o golo que decidiu a final e o vencedor. Um golo à avançado, diga-se de passagem. E assim, em vantagem, a Espanha esperou para ver a reacção da Alemanha. Não foi um daqueles casos de uma grande reacção, mas ela existiu de facto, a espaços, mas sempre com a palavra perigo inscrita nas botas dos seus atacantes. Tal perigo apenas aconteceu uma vez, e num remate de fora de área de Ballack. Ora, quando a melhor oportunidade de golo do adversário é um remate desse tipo, fica bem delineado o quão perfeita foi a Espanha defensivamente (houve desconcentrações, mas bem resolvidas pelos companheiros de sector).

Assim, passado quatro anos da desilusão futebolística de 2004, temos em 2008 um campeão que pratica um futebol vistoso e eficaz. Conjuraram-se cenários de vitória do futebol cinzento e acima de tudo, mostrou-se ao mundo que é possível ganhar jogando de forma bela aos olhos do telespectador. Uma boa visão do futebol para concluir, mas não deixo escapar a oportunidade para incentivar uma vez mais ao recurso às novas tecnologias na arbitragem, isto porque o árbitro da partida esteve bastante mal a ajuizar vários lances, além do critério disciplinar ter sido péssimo (o amarelo a Casillas é de deixar qualquer espanhol louco de raiva). A rever esse aspecto e claro, o futebol da Espanha.Para o fim, a apreciação individual dos vários jogadores-chave espanhóis e habitual positivo e negativo:

Casillas: Se há ano para a sua consagração como melhor guarda-redes do mundo, é este. Influência máxima no espírito de concentração da equipa.

Sergio Ramos: Um aventureiro, um jogador solidário e a lembrança constante do amigo Puerta. - Também ele foi campeão hoje.

Puyol: A personificação da garra. Não foi brilhante, mas foi muito seguro. Como é aliás, seu estilo.

Marchena: A revelação para mim. Uma época toda a jogar a trinco e depois faz exibições de alta qualidade a central e consecutivamente. Magnífico!

Capdevila: O lateral esquerdo que tanta inveja nos faz. Muito sóbrio e aguerrido, tinha em Senna o seu companheiro mais fiel.

Senna: Que me perdoem Casillas, Iniesta e Villa, mas o melhor do torneio foi mesmo Senna. Absolutamente genial nas compensações e nas dobras, irrepreensível tacticamente. O melhor!

Xabi Alonso: Entrou a espaços, mas se a equipa não sofreu golos no mata-mata, muito também se deve a ele.

Iniesta: Foi dos que mais fintaram com sucesso. O modo como controla a bola é assombroso e em muito ajudou no auto-controlo emocional da equipa.

Xavi: Tal como Iniesta, é dos tais que parece não ter ancas, tal a rapidez com que se viram. Brilhante no passe e no empurrar da equipa para a frente.

Fabregas: Teve papel fulcral na semi-final e exibiu sempre a sua arte quando solicitado. Futuro genial à sua frente.

Cazorla: Trabalhador e técnico, entrou sempre bem em campo. Aposta acertada de Aragonés.

David Silva: Foi irreverente em grandes doses e parecia amadurecer a cada jogo. Fez esquecer por completo Joaquín, Vicente e Capel.

Torres: Decisivo na final, parecia estar a guardar-se para este jogo. The kid é hoje o mais sério candidato (pelos golos e este título) a derrotar Cristiano Ronaldo na eleição do melhor do mundo.

Villa: Sai como melhor marcador do torneio. De grande recorte técnico e exímio na finalização.

Guiza: Um jogador de grande porte atlético e de grande capacidade de finalização. Tem a capacidade de intranquilizar qualquer defesa.
Alemanha:
Positivo: A raça da equipa mesmo com um claro défice técnico em relação ao rival. Tiveram a capacidade de pôr em sentido a atenção da defesa espanhola.
Negativo: Ausência de um líder com uma aura vitoriosa (Ballack é o inverso disso), equipa com poucos recursos ofensivos e nervos sempre à flor da pele.

Espanha:
Positivo: Ganhar uma final é sempre o cúmulo do sentido positivo. Aragonés e a sua teimosia pelo bom futebol. Todo o trabalho dos jogadores em campo.
Negativo: Desconcentrações esporádicas que poderiam ter resultado mal.

Thursday, June 26, 2008

Esta sim é a verdadeira vontade de vencer

Fiel aos seus princípios, a Espanha protagonizou neste jogo umas das suas mais grandiosas exibições futebolísticas, principalmente na segunda parte, onde foi manifestamente superior ao seu adversário em todas as vertentes possíveis: posse, remate, eficácia, beleza de jogo, antecipação, desmarcação, defesa... enfim, um domínio absoluto perante uma Rússia que acusou em demasia a responsabilidade de ter eliminado a favorita Holanda.

Como foi tal feito conseguido por nuestros hermanos? Resposta simples: Bloqueio de acção aos municiadores de ataque russos, de seus nomes Arshavin e Zhirkov. Foram decisivos para tal missão o hispano-brasileiro Senna, Sérgio Ramos e o apoio constante de Silva - o melhor em campo para mim - que incubidos de tal tarefa, não só a cumpriram à risca, como ainda se livraram de amarras e passaram ao ataque.

Contudo, o momento fundamental do jogo partiu da lesão de Villa. Sem desprimor pelo melhor marcador deste Europeu, Fabregas entrou muitíssimo bem e veio equilibrar o meio-campo, dando-lhe aquilo que faltou na primeira parte: aventura. Por outras palavras, Fabregas deu o toque final ao projecto de posse de bola apoiado em passe curto da selecção espanhola, dando-lhe capacidade de fantasia e de desequilíbrio. Cedo se apercebeu disso David Silva, que mais liberto, revoltou a até então sóbria defesa russa, que acabou subjugada pelas desmarcações repentinas do interior do terreno. Numa comparação com o Barcelona de há três anos, Fabregas foi para a Espanha de hoje o que Ronaldinho foi para essa grande equipa: o mágico eficaz.

Por fim, duas notas: chega ao fim a brilhante campanha da Rússia, que mesmo abalada pelo resultado avassalador, sai de cabeça erguida. É uma selecção jovem e por isso tem todas as condições para fazer mais brilharetes num futuro muito próximo, talvez já mesmo em 2010.
E, voltando à Espanha, dizer que uma equipa não deve ser montada sob nenhuma aura de fúria, tiqui-taca ou estrelas momentâneas. Uma equipa é, acima de tudo, um conjunto unido num único sentido: a vitória. Aragónes tem grande mérito nessa construção, pois muito rara é a vez onde o espectador, chegado o fim e questionado quem jogou pior do lado vencedor, ficar sem qualquer tipo de resposta. Essa é no fundo a marca das grandes equipas.

Espanha
Positivo: O equilíbrio de Iniesta e Xavi, a segurança de Casillas e Puyol, a aventura de Sergio Ramos e Fabregas, o perigo nos pés de David Silva e Guiza, e por fim, o magnífico Senna, que é, neste momento, o melhor médio defensivo do futebol mundial.
Negativo: Exceptuando a falta de pontaria de Torres e a lesão de Villa, nada a assinalar nos espanhóis.

Rússia
Positivo: Pavlyuchenko, mesmo sozinho, lutou muito e por pouco não teve prémio. Para mim, ele e Akinfeev foram os melhores dos russos ao longo do torneio.
Negativo: Tal como tinha dito, Arshavin precisa de ter todas as condições a seu favor. Não as tendo, é um jogador sem destaque. Fraca capacidade de libertação por parte do meio-campo da malha adversária.

Monday, June 23, 2008

Espaço Aposta V

Samir Nasri é a aposta que vos trago hoje. Mais uma vez, não se trata de um desconhecido, mas sim de uns dos talentos mais afamados do globo, dito por muitos como o digno sucessor de Zidane. Custou 15M € aos recheados cofres do Arsenal, veio do Olympique de Lyon e chegará para colmatar uma de três situações:
- a mais que provável saída de Hleb
- a excessiva carga de jogos realizada por Rosicky
- a ausência de alternativas credíveis ao checo e a Fabregas

De técnica refinada, é dos poucos jogadores que nos fazem lembrar maestros como Rui Costa ou o já referido Zidane, muito devido à sua excelente visão de jogo e qualidade de passe. Não é, para já, um jogador de choque, mas tal como Anderson do Man Utd, Nasri ganhará igualmente a necessária compleição física de forma a poder mostrar toda a sua arte no campeonato mais espectacular do planeta. Uma excelente aposta realizada por Wenger, que certamente dará conta do recado.

O mérito russo

Uma das mais agradáveis surpresas do Euro 2008 veio do frio. A Rússia de Hiddink pratica um futebol assente nas movimentações colectivas, através das quais liberta ao máximo os seus jogadores tecnicamente mais evoluídos e que mais conseguem desiquilibrar no um-para-um, como Zhirkov, Arshavin ou Pavlyuchenko.
Também contribui, a este nível competitivo, o facto de os jogadores que constituem a selecção russa serem praticamente todos oriundos de clubes do seu país de origem, cujo campeonato está a começar.
Não deixa, porém, de ser um grande mérito para Hiddink ter montado uma equipa sólida e muito forte nas transições ofensivas, mas que não deixa de ter algumas lacunas como apontou, e bem, o António.


Um ou outro espectador mais atento já teria previsto que a Mãe Rússia pudesse lutar por algo mais do que apenas passar aos quartos-de-final, depois de ver o Zenit ganhar, com todo o mérito, a Taça UEFA deste ano.


Referência para alguém que conseguiu brilhar mais do que Guus Hiddink nos jogos contra a Suécia e a Holanda: Arshavin. Se a sua exibição contra a Suécia teve mais sentido colectivo, contra os holandeses foi simplesmente fantástico do ponto de vista individual. Sozinho, dinamitou por completo a defesa laranja, trocou as voltas a todos quantos se lhe opuseram, Boulahrouz, Heitinga, Van Bronckhorst, partindo das alas para o centro em slaloms diabólicos ou efectuando passes de morte, fabricou o 1º golo, ofereceu o 2º e ainda teve tempo para coroar a sua exibição com um golo por entre as pernas de Van der Saar, ao ponto de irritar Ooijer com o seu talento. Superior controlo de bola, capacidade de arranque e velocidade, sentido colectivo e arrogância individualista q.b., na mais assombrosa exibição individual deste Euro 2008. Há muito que era apontado como um dos grandes valores do futebol russo mas talvez ninguém desse por ele se o Zenit não ganhasse a Taça UEFA e se Hiddink não estivesse ao leme da selecção.


Uma última referência para Pavlyuchenko, um avançado que deixou também meio-mundo assombrado com a sua movimentação e instinto goleador, embora só tenha ainda marcado 2 golos na competição.


Será que iremos vê-los na final?

Sunday, June 22, 2008

O sonho de Hiddink

Guus é um nome curto e estranho, que dá vontade de fazer trocadilhos como motivo de gozo. Guus é nome de treinador. Guus é nome de cidadão do mundo, capaz de exercer de forma positiva o seu trabalho em qualquer canto do mundo. Guus é o verdadeiro trabalhador do mundo, profissional ao ponto de ganhar ao país que o viu nascer. Van Gogh ou Rembrandt talvez vissem isso como a última forma de traição à pátria, mas as selecções que acolheram Guus vêem-no como "o maior". Depois da cidadania e do mérito recolhido na Coreia do Sul, depois do feito de ter qualificado a Austrália para os Oitavos-de-Final do Mundial 2006, caindo aos pés da Itália e do árbitro desse jogo, agora Guus é o novo "czar", colocando a Rússia nos padrões da história futebolística da URSS, depois da excelente e totalmente merecida vitória frente à ultra-favorita Holanda.

Como tinha dito anteriormente, faltava à Holanda ver-se em desvantagem num jogo para se perceber afinal se eram realmente favoritos ou não. A resposta foi um rotundo e sonoro não, pois não conseguiram fazer tremer as boas bases do futebol russo, apoiado na técnica dos jogadores do Zénit (Arshavin e Zyrianov), na segurança do CSKA (Akinfeev, Ignashevich e Zhirkov) e no instinto do goleador do Spartak (Pavlyuchenko). A Holanda, carente de técnica na transição (Engelaar e De Jong estiveram sofríveis nesse aspecto), deixou tudo nos pés de Sneidjer, que rodeado de defesas russos - estes sabiam onde estava o epicentro - assustava mais não facturava, deixando os russos cada vez mais à vontade para atacar, o que fizeram durante todo o jogo, depois dos primeiros 20 minutos de estudo do adversário. Mérito de Hiddink que nunca deixou de ter 2 avançados, mérito da concentração e claro, total demérito de Van Basten, que tal como havia demonstrado há 2 anos frente a Portugal, é um técnico conformado e muito mau nas substituições (esgotou-as por volta dos 70 min). Vê-se claramente que é um técnico que gosta de agradar à imprensa e isso é hoje um péssimo sinal, pois a imprensa quer que jogue quem venda e não quem está em melhor forma.

Fica então um favorito pelo caminho e abre-se o caminho para mais uma surpresa, logo após a Turquia. É esta a magia do Europeu, campeonato que permite a equipas como estas exibirem-se em alto nível e sonhar com a vitória, tal como Dinamarca, Checoslováquia ou Grécia o fizeram e conseguiram.

Holanda
Positivo: Espírito ofensivo da equipa. Nistelrooy e o seu faro salvador. Sneidjer a aguentar o peso da responsabilidade.
Negativo: Falta de estofo de campeão - Primeira vez em desvantagem e ficam logo pelo caminho. Ooijer e Mathijsen são inseguros. Heitinga e Boularouz foram comidos por Arshavin.

Rússia
Positivo: Muito fortes no jogo ao primeiro toque. A técnica maravilhosa de Arshavin. Excelente resistência (deve-se muito ao diferente calendário do futebol russo)
Negativo: Equipa jovem com tendência a infantilidades. Equipa péssima a defender bolas paradas.

"Super tranquilo"

Portugal não superou as minhas previsões e acaba a sua participação neste Euro à custa da Alemanha, equipa que já havia ganho a Portugal na atribuição do 3º e 4º lugar do Mundial 2006. Tal como nesse jogo, Schweinsteiger foi a figura, contribuindo hoje com um golo pleno de avançado e duas assistências, a última das quais com enorme contribuição de Ricardo (ficou a observar sem reacção) e o árbitro (houve carga sobre Ferreira). Seja como fôr, a Alemanha ganhou bem pois foi mais eficaz e experiente (apesar de ter equipa mais jovem). Faltou profundidade a Portugal no ataque, faltou liderança em momentos fulcrais e faltou sobretudo Ronaldo. Vale no entanto a verdade que não faltou qualidade à estrela portuguesa, mas sim resistência e pique na aceleração. De qualquer forma, acho que seria de todo injusto não considerá-lo o melhor jogador do mundo neste ano. Perto dele, apenas Torres. Perto dos números, ninguém.

De assinalar igualmente que acabou hoje a era Scolari na selecção portuguesa, período no qual o Sargentão soube construir uma equipa unida, com peças de excelência e outras mais pobres, mas sempre com o equilíbrio como nota dominante. Scolari despede-se dizendo de sua alma que está "super tranquilo" com o trabalho desenvolvido ao longo de 5 anos. Tem motivos para isso, embora alguns episódios nos façam perguntar: se ele é assim quando está tranquilo, como é quando está irritado? Caberá ao Chelsea provar agora desse veneno.
Quanto ao seu substituto, caberá a tarefa herculeana de recriar o espírito colectivo do brasileiro e claro, de não ceder às pressões externas. Se o conseguir, será certamente bem sucedido.

Finalizando, a Alemanha assume-se, após o jogo de hoje, como principal favorita na luta pela vaga da final entre o Grupo A e B do Euro. Se conseguirem então melhorar a sua defesa serão claramente os favoritos para a vitória.

Portugal
Positivo: O infatigável Deco. Pontas-de-lança com pontaria. Vontade de lutar perante a adversidade.
Negativo: Ricardo. Tenho que soletrar, pois já longe vai o Euro2004 e a sua defesa sem luvas. Esse jogo vai sendo apagado da memória a cada novo percalço de Ricardo, infelizmente para ele e para todos nós. Paulo Ferreira e Ronaldo passaram ao lado do jogo.

Alemanha
Positivo: A tara de Schweinsteiger com Ricardo. A perseverança e técnica de Ballack.
Negativo: Lehmann não é melhor que Ricardo, mas consegue dar mais segurança à defesa alemã. A choraminguice de Ballack.

Friday, June 20, 2008

À tua!

Desta vez venho só deixar aqui o meu apreço pessoal pelo trabalho desenvolvido pelo António no intuito de acompanhar os jogos do Euro 2008, dedicando o seu tempo a analisar e a criticar os jogos no geral e as equipas em particular.
Como diria alguém que deixou muita saudade, "É disto que o meu povo gosta!"
O nosso grande bem-haja, caro António!

Algumas considerações sobre o Euro de Portugal

Voltámos a claudicar perante a Alemanha. Mais fortes fisicamente e, sobretudo, mentalmente, oa germânicos foram letais nas bolas paradas e criaram muito perigo em contra-ataque, depois de marcarem 2 golos de rajada.

Passo a uma pequena análise sobre os jogadores nacionais.
Ricardo só fez uma defesa de relevo, a remate de Ballack, no 1º golo pouco podia fazer mas nos golos de bola parada ficou mal na fotografia ao ficar a meio da viagem, com culpas repartidas por quem estava a marcar Klose e Ballack.
Bosingwa travou duelo interessante com Podolski e esteve muito bem a atacar, sobretudo no 2º tempo com a Alemanha mais defensiva, mas esteve mal nos cruzamentos e foi ultrapassado no lance do 1º golo.
Pepe esteve muitíssimo bem a ganhar os duelos nas alturas e na antecipação mas também reparte culpas nos golos.
Ricardo Carvalho esteve muito abaixo daquilo que pode e deve fazer. Ficou a ver Schweinsteiger arrancar para o 1º golo, raramente jogou em antecipação como costuma fazer e teve problemas nas dobras.
Paulo Ferreira teve tarefa complicada com Schweinsteiger e não o conseguiu travar no 1º golo embora numa zona da competência dos centrais e era um jogador claramente em défice na 2ª parte, já não defendia nem atacava.
Petit teve missão complicada na marcação a Ballack e raramente ganhou um lance. Sem velocidade para acompanhar os contra-ataques alemães e o seu maestro.
João Moutinho estava a jogar muito bem, no apoio quer a Petit nas missões defensivas quer a Deco nas missões ofensivas e de transporte da bola, quando se lesionou num lance com Ballack.
Deco foi, sem dúvida, o melhor de Portugal. Foi super e esteve genial no um-para-um, no passe curto e longo e na maneira como carregou com a equipa para a frente desde o 1º ao último minuto.
Simão esteve muito bem na 1ª parte, criando vários lances com Deco e Bosingwa no flanco direito e poderia ter marcado. Caiu na 2ª parte mas continuou a tentar fazer um transporte de bola rápido.
Ronaldo foi, como os colaboradores do "Crónicas" haviam previsto, uma desilusão. Futebol aos fogachos e pouca noção de quando soltar a bola, esteve no lance do 1º golo de Portugal, é certo, mas esteve mal no remate e quando jogou a ponta-de-lança quase desapareceu.
Nuno Gomes trabalhou muito junto dos centrais contrários o que lhe valeu um golo com bom sentido de oportunidade.
Nani veio agitar os flancos e fez o cruzamento para o 2º golo. Ainda deu esperanças aos portugueses mas era já tarde demais.
Postiga marcou bem, de cabeça, na única oportunidade que dispôs e movimentou-se bastante.

Numa análise mais geral, Portugal precisava de ter Ronaldo com mais futebol e menos "brilhantina", de um Ricardo Carvalho ao seu nível, de João Moutinho ter continuado em campo e a lacuna de defesa-esquerdo continua a ser um problema por resolver.
A meu ver, Scolari também não esteve muito bem nas substituições, não nos jogadores que entraram mas nos que saíram. Tirou Nuno Gomes quando estava a perder por 1-3 e necessitava de um jogador com quem os médios e os extremos pudessem tabelar (muitas vezes Deco e Simão eram obrigados a jogar para trás por não haver quem se aproximasse para receber o passe), teve o azar de ficar sem Moutinho, que tem maior amplitude de jogo que Meireles e é mais decisivo no último passe, e quanto a mim poderia ter arriscado tudo ao tirar P. Ferreira, claramente em défice físico e, sem ninguém para marcar, nem atacava nem defendia. Bem ao tirar Petit.
Aliado a estes factores, aquele triste fado de ter o árbitro a empurrar a Alemanha. Amarelo a Pepe quando num lance igual pouco antes nem sequer marcou falta sobre Simão, o empurrão de Ballack sobre P. Ferreira e aquela sempre conveniente conivência quando os alemães já só estavam a queimar tempo, critério largo para a Mannschaft e apertado para a turma das quinas. E a verdade é que teve influência directa no resultado. Mas valha a verdade, não foi por aí que Portugal perdeu e saiu fora do Euro.
Notas positivas: Pepe esteve seguríssimo na defesa, Deco foi fabuloso durante o Euro, Moutinho assumiu-se como titular indiscutível da equipa, Bosingwa esteve muito bem, tal como Simão.
Notas negativas: C. Ronaldo e Ricardo Carvalho não estiveram ao seu nível, Quaresma voltou a revelar-se uma desilusão; falta de "classe" de jogadores como B. Alves, J. Ribeiro, R. Meireles, Petit para os grandes palcos; falta de GR, lateral-esquerdo e ponta-de-lança de nível indiscutível, como sempre as grandes lacunas da Selecção.
Como havia escrito num texto aqui no "Crónicas", o que separa Portugal daquele grupo de selecções composta pela Alemanha, França, Itália, Argentina e Brasil, é só e apenas uma questão de mentalidade, que se vê e demonstra na concentração, atitude e determinação a nível individual e que se estende de modo visível a toda a equipa, isto além da qualidade geral dos seus jogadores. Apenas Pepe, Deco e Simão estiveram ao nível exigido contra a Alemanha, e contra essas equipas de topo faz toda a diferença.

Thursday, June 19, 2008

O preço da teimosia

Domenech pagou enfim por toda a sua arrogância e teimosia. Frente a uma Itália capaz do melhor e do pior mas com opções pouco ou nada contestadas, o treinador francês armou-se literamente "em esperto", colocando Abidal a central e deixando Thuram no banco, o que acabou por constituir um grande erro. Contudo, o pior foi antes da competição, quando decidiu deixar Trezeguet de fora, indo em seu lugar o trapalhão Gomis. O astro da Juventus fez imensa falta, sobretudo quando Henry procurava apoio ao seu lado ou quando o mesmo jogador falhava golos na cara do guarda-redes. Nota de culpa para Domenech e 1 ponto para recordação na saída deste Europeu.

Do lado italiano, os sorrisos deste último jogo contrastavam com as faces angustiadas do primeiro jogo (0-3 frente à Holanda). Pirlo e Gattuso deram tudo (demasiado até, levando amarelos que os deixam de fora dos Quartos) e isso foi recompensado com a passagem à fase seguinte da competição, atrás da trituradora Holanda. Buffon tem sido a grande estrela, seja pelas suas grandes defesas, seja pelo exemplo de amor à Itália a cada jogo. É ele quem dá a cara nos momentos difíceis, tal como o sempre fez na Juventus. Destaque igualmente para De Rossi - o verdadeiro revolucionário da Itália - e Cassano - o mal-amado mais adorado pela sua total entrega ao futebol.

Itália
Positivo: Buffon imperial, De Rossi com futebol para dar e vender e o Pirlo dos bons dias.
Negativo: Toni a acumular golos falhados, laterais permeáveis.

França
Positivo: Ribéry, sempre ele. Coupet salvando a humilhação.
Negativo: Teimosia de Domenech, Henry irreconhecível e um misto de juventude e experiência perfeitamente descoordenado.

Friday, June 13, 2008

A força da eficácia holandesa

Embora o resultado seja esclarecedor, a Holanda continua sem convencer-me. É certo que há muito trabalho de casa bem feito, como é exemplo o facto da defesa ter empurrado sempre Ribéry e Malouda para a linha de fundo, onde não são tão perigosos como nas diagonais interiores. É igualmente verdade que os holandeses estão com uma eficácia a fazer lembrar o seu seleccionador, mas ainda assim, acho que a estrelinha tem estado com eles nos momentos decisivos. No jogo da Itália foi Toni que falhou isolado perante Van der Sar e hoje, perante o mesmo guarda-redes, a mesma falha, agora por Henry, quando esta significaria o empate. Entretanto, no golo que sentenciou o jogo (o terceiro), Robben põe a bola exactamente onde ela apenas poderia entrar, ao mesmo tempo que ao contrário do primeiro golo frente à Itália (o tal do fora-de-jogo), o árbitro optou hoje por não marcar um lance duvidoso na área holandesa. Conjugado, a Holanda tem tido a seu favor as decisões dos árbitros, a sorte em não sofrer golos nas suas desconcentrações e a fortuna de marcar um golo a praticamente cada remate que faz.
Ainda assim, vitória inteiramente justa numa grande partida de futebol.

Holanda
Positivo: O bloco defensivo da equipa e a eficácia na finalização. Sneidjer numa dimensão diferente. Seus companheiros do Real Madrid em grande plano (Nistelrooy e Robben)
Negativo: Os centrais são vulneráveis às desmarcações interiores.

França
Positivo: Ribéry é um jogador fantástico que nunca joga para trás e, só por si, garante show.
Negativo: O PDI (Peso da Idade) acaba por ser fulcral perante as jovens pernas dos futebolistas holandeses. Thuram, Makelelé e Henry são jogadores já fora do seu (glorioso) tempo.

Tuesday, June 10, 2008

Euro2008 - Fim da primeira jornada

Seguem-se agora algumas análises (já um pouco fora de horas) a jogos que tenho tido oportunidade de ver, destacando as exibições da Holanda, Alemanha e Suécia, que julgo serem equipas muito compactas e com a estrela necessária para serem campeãs. Os minutos finais do jogo de Espanha fazem com que esta não tenha ainda a necessária arquitectura de um vencedor.


Jogo forte por parte dos alemães, que passado muitos anos após a última vitória em europeus (12 anos...) conseguiram por fim acabar com o fantasma e de forma categórica. Podolski confirmou-se numa forma diferente dos restantes envolvidos no encontro (ser segunda opção do Bayern explica isso) e resolveu. Por sua vez, a Polónia nunca conseguiu colocar as bolas em Smolarek e o score final ajustou-se a essa realidade.

Alemanha
Positivo: O pé quente de Podolski, os trunfos do ataque em boa forma e excelentes alas.
Negativo: A lentidão do meio-campo perante contra-ataques. Frings e Ballack não têm a velocidade necessária.

Polónia
Positivo: Labor da equipa, correcção táctica, a fantasia de Roger Guerrero.
Negativo: O excessivo fio de jogo pelos extremos. Falta de soluções quando o avançado-centro é bem marcado.

O melhor jogo do Europeu até agora, com jogadas de encher o olho de parte a parte, um grande golo (de Sneidjer), grandes defesas, claques muito entusiastas e até más decisões. Começando pelo fim, a má decisão ainda hoje dá que falar pois o primeiro golo de Nistelrooy foi em claro fora-de-jogo, ainda que a UEFA tenha posto um porta-voz a interpretar a lei de forma absurda, tirando razão à Itália na queixa, que nem chorou muito esse lance, visto que apenas se pode queixar de si própria e das oportunidades clamorosas que falharam Del Piero e Luca Toni (!).
É importante realçar que a Holanda não ganhava à Itália há cerca de 30 anos, mas que o fez com um jogo virtuoso, apoiado e muito preciso no passe, exactamente aquilo que costuma ser o meio-campo italiano, mas que por teimosia de Donadoni em usar o meio-campo milanista (Pirlo, Ambrosini, Gattuso), acabou por ceder ao peso de uma época muito má do clube italiano, não encontrando os seus jogadores o necessário ritmo para acompanhar Sneidjer, Engelaar e De Jong. O Resultado acabou por ser pesado às oportunidades para cada lado, mas ainda assim, inteiramente justo.

Holanda
Positivo: Quase tudo, destacando-se o apoio de Gio, talento de Sneidjer e a stamina de Kuyt.
Negativo: A excessiva dureza de De Jong, desconcentrações esporádicas a meio-campo.

Itália
Positivo: A disponibilidade atacante de Del Piero e Grosso, o poder de Buffon.
Negativo: Cansaço do meio-campo e a inexperiência de Barzagli perante Nistelrooy.


Resultado pesado para aquilo que se passou em campo, contudo a prova da eficácia espanhola perante o desacerto russo. Um David Villa inspiradíssimo bastou para quebrar o bloco de leste, que sofreu muito cá atrás com as investidas de Torres e do citado Villa. Quando estava 2-0 e Aragonés tirou Torres por Fabregas, apenas um novo pesadelo começou para os russos, que embora beneficiando de mais bola viram como os contra-ataques eram melhor executados e mais perigo causavam. Tudo isto poderia bastar para pôr a Espanha no lote dos favoritos, no entanto a desconcentração total no golo e após este (durante 5 a 10 minutos) provam que é uma equipa que não sabe reagir à adversidade. Pode ser que tenham a sorte que lhes faltou durante muito e muitos torneios anteriores, mas ficou bem assinalada a ideia de que ainda falta a mentalidade que, por exemplo, a Suécia já possui.

Espanha
Positivo: O poder de fogo que revelam Torres e Villa, meio-campo muito técnico e grande segurança de Senna transmite.
Negativo: A incapacidade de reacção à adversidade. Intranquilidade de Puyol.

Rússia
Positivo: Akinfeev revelou segurança e Zhirkov foi sempre uma ameaça constante.
Negativo: Más opções atacantes de Hiddink (Bystrov entrou a substituir e depois saiu para ser substituído) e falta de agressividade na defesa.


Ibrahimovic é afinal a chave para abrir o cofre-forte grego. Só através da rudimentar lei da bala é que o bósnio-sueco conseguiu abrir aquilo que parecia impossível: a baliza de Nikopolidis. Numa grande combinação com o eterno Larsson (fiquei chocado com os seus cabelos brancos no meio da carapinha), Ibrahimovic desferiu um autêntico míssil que resulta no melhor golo (a par do de Sneidjer) na competição até agora. Depois foi ver os gregos a tentar atacar apoiado (algo parecido a uma anedota) e numa jogada de felicidade extrema, os suecos conseguiram introduzir de novo a bola na baliza (parece que a sorte dos gregos acabou ali mesmo), fixando o resultado e ditando leis. Para o registo ficou, assim como a forte mentalidade da Suécia, que perante defesa tão bem guardada, souber esperar o momento certo para morder.


Grécia
Positivo: A vontade de Karagounis em quebrar o sistema, a força dos centrais gregos.
Negativo: O mesmo tipo de jogo, a mesma forma de ganhar os jogos. Quando Ibrahimovic marcou a reacção desesperada de Otto Rehaggel demonstra exactamente ao que vinham os gregos.

Suécia
Positivo: Acima de tudo a mentalidade vencedora e paciente. Ibrahimovic como flecha e Larsson como voz de comando que todos ouvem e respeitam.
Negativo: Pareceu-me que o guarda-redes não oferece muita segurança ao sector defensivo. E claro, perante jogadas mais violentas, o temperamento de Ibrahimovic pode sempre rebentar, e aí, adeus Europeu para a Suécia.

Saturday, June 07, 2008

Euro2008: Uma exibição convincente

Excelente estreia da selecção nacional! A equipe de Scolari foi durante quase todo o encontro superior à selecção turca, que não conseguiu verdadeiramente criar perigo junto da baliza de Ricardo, embora desse a ideia que uma jogada fortuita acabaria por resultar em golo.

Por sua vez, Portugal foi uma equipa coesa, com um excelente meio-campo, algo que à partida pensaria ser o ponto mais débil de Portugal. Não o foi e nele se destacou Petit e Moutinho, autênticos mouros de trabalho, assim como Deco que nunca desistiu de puxar a equipa para a frente. A defesa pareceu-me muito sólida (Bosingwa secou totalmente o principal perigo turco - Tuncay) e o ataque foi participativo. Nuno Gomes, o criticado, jogou bem nas tabelinhas e numa delas resultou o golo inaugural do defesa (ou direi líbero?) Pepe.
Resultado óptimo para o começo, resta agora não deitá-lo a perder no segundo jogo.

Portugal
Positivo: Ideia de equipa a imperiar sobre o individualismo. Moutinho como exemplo perfeito disso.
Negativo: A falta de segurança de Ricardo no jogo de pés.

Turquia
Positivo: Futebol de ataque atraente e conciso.
Negativo: Excessivos vícios que encobrem aquilo que esta selecção tem de bom (simulações, protestos e entradas duras tiram arte ao futebol turco e desgastam-no)

Euro2008 - Já rola a bola!

Jogo muito interessante o de abertura do Euro 2008. Foi, antes de mais, um jogo de paradoxos: a República Checa era à partida, a sugerida para ter mais posse de bola e mais poder ofensivo (pese as ausências de Nedved e Rosicky), assim como era de esperar que tivesse e criasse mais oportunidades de golos. Contrariamente ao previsto, a Suíça foi quem teve mais posse, controlo e remate. Isto com uma diferença abismal em relação ao seu adversário. Infelizmente para o país co-organizador, faltou-lhe a eficácia e até a ajuda que as equipas de arbitragem dão à equipa da casa, ficando por assinalar 2 penalties por mãos de Ujfalusi (nenhum deles é intencional mas cortam a jogada de ataque, logo deveriam ter sido assinalados). Como se não bastasse, ainda se lesionou Frei, a referência ofensiva da equipa. Mais que o jogo de abertura perdido, ficou igualmente bem delineado que a Suíça ficará na primeira fase de grupos, enquanto a Rep. Checa aguarda Portugal - se este cumprir a sua função - rumo aos Quartos-de-final da competição, mesmo que através de um futebol longe dos padrões a que nos habituaram. Salvou-se o golo de Sverkos.
Destaques finais:

Suíça
Positivo: O apoio do público, a capacidade de trabalho da equipa e Gelson Fernandes.
Negativo: Defesa lenta na recuperação e fraquíssima finalização.

Rep. Checa
Positivo: A concentração de Cech e Galasek e a inteligência do treinador nas substituições.
Negativo: A fraca criatividade e a ausência de um modelo de jogo sem Rosicky.

Euro2008: Prognosticando vencedores

Segue-se aqui a minha ideia antecipada para o final do Euro2008, demonstrando a fase que penso as equipas atingirão, assim como o rendimento das suas maiores estrelas. No final veremos se falhei por muito.

GRUPO A

PASSA A PRIMEIRA FASE MAS FICA-SE PELOS QUARTOS.
CRISTIANO RONALDO DECIDIRÁ EM ALGUMA OCASIÃO MAS PASSARÁ RELATIVAMENTE DESPERCEBIDO.

NÃO PASSA A PRIMEIRA FASE. A AUSÊNCIA DE ROSICKY SERÁ MUITO NOTADA,
SENDO QUE KOLLER NÃO O FARÁ ESQUECER.

FICARÁ PELA PRIMEIRA FASE. EMBORA DÊ LUTA, NÃO SERÁ EFICAZ.
NIHAT NÃO SERÁ A REFERÊNCIA ATACANTE QUE OS TURCOS QUERIAM.

CORRERÁ MUITO E TERÁ O SEU PRÉMIO COM A PASSAGEM AOS QUARTOS, CONTUDO DAÍ NÃO PASSA.
BARNETTA ENCANTARÁ.


GRUPO B
SERÁ A GRANDE SURPRESA DA PROVA, ONDE ALCANÇARÁ AS MEIAS-FINAIS.
SMOLAREK SERÁ DECISIVO.

NOTARÁ EM DEMASIA A AUSÊNCIA DE EDUARDO.
AINDA ASSIM LUCA MODRIC EXIBIR-SE-Á EM BOM NÍVEL.

LUTARÁ PARA CONQUISTAR UM PONTO.
IVANSHITZ NÃO SE SALVARÁ DA HECATOMBE.

CHEGARÁ À FINAL. KLOSE SERÁ DECISIVO.


GRUPO C

NÃO PASSA DA PRIMEIRA FASE.
RIBÉRY MOSTRARÁ MAIS CANSAÇO QUE TALENTO.

FICARÁ PELOS QUARTOS.
LUCA TONI FACTURARÁ, MAS NÃO VAI CHEGAR PARA MUITO.

FINALISTA.
VAN DER VAART SERÁ ESTRELA MAIOR.

DARÁ LUTA, MAS FICARÁ PELA PRIMEIRA FASE.
MUTU DARÁ TRABALHO ÀS DEFESAS, MAS APENAS ISSO.


GRUPO D

QUARTO-FINALISTA.
IBRAHIMOVIC NÃO SERÁ DECISIVO, MAS AJUDARÁ MUITO.

PRIMEIRA FASE.
ZHIRKOV DARÁ UM AR DA SUA GRAÇA.

SEMI-FINALISTA.
FERNANDO TORRES SERÁ A CANDEIA QUE ILUMINARÁ OS ESPANHÓIS.

FICARÁ PELA PRIMEIRA FASE.
GEKAS ACOMPANHARÁ O TRAMBOLHÃO GREGO.

Tuesday, June 03, 2008

Espaço Aposta IV

Desta vez venho realçar não uma mas várias contratações feitas pelo Sporting, numa aposta coerente que revela inteligência em colmatar falhas em sectores débeis da equipa ou tapar eventuais saídas de jogadores.
As contratações de Postiga e Rochemback são apostas em jogadores que conhecem bem o campeonato português e o clube, pelo que não devem ter problemas de adaptação. As escolhas de Grimi e Caneira, a concretizarem-se, apontam no mesmo sentido e, portanto, parecem-me bastante acertadas.
Postiga entra para o lugar de Purovic, tudo indica; Rochemback acautela a saída de M. Veloso ou Moutinho ao mesmo tempo que é um jogador de qualidade para o meio-campo; Grimi jogou no Sporting esta temporada e consegue ser um pouco melhor do que Ronny, sobretudo em regularidade; Caneira é um defesa polivalente, com experiência de competições europeias e de selecção.
De louvar também a aposta em jogadores internacionais portugueses.

Friday, May 30, 2008

Grandes jogadores adversários VII

Magnusson
O erro da linha de montagem sueca

Chegado ao Benfica via Malmö, onde foi campeão sueco consecutivamente entre 85 e 87, Magnusson era um jogador ainda jovem quando aterrou em Lisboa. Com 24 anos, e de aspecto alto e louro, os benfiquistas desconfiaram, mas cedo viram que não havia motivos para tal, pois Mats Ture Magnusson revelou-se um jogador dotado de uma excelente técnica, muito móvel e com uma capacidade de remate fantástica.

Certamente que não era um brasileiro no toque de bola, mas tinha sempre forma de passar o adversário, fosse com a apoio das triangulações dos companheiros (Paneira, Valdo, Thern e Chalana eram exímios nesse aspecto), fosse através de um excelente posicionamento em campo. Mesmo que habituados a um outro tipo de avançado, os adeptos benfiquistas renderam-se à estatística do sueco: 87 golos em 164 jogos! E ainda hoje, muitos deles, quando vêem Nuno Gomes a falhar mais um golo, clamam pelo artilheiro de cabelos amarelos!

Ao nível do futebol, era fantástico ver actuar o Benfica de finais dos anos 80, já que era uma equipa de muitos contrastes: enquanto as outras grandes equipas apostavam em centrais pouco técnicos, no Benfica os brasileiros Mozer, Aldair e Ricardo Gomes eram as referências defensivas. No meio-campo e no ataque, o contraste geral: extremos portugueses a criar jogo em vez de brasileiros* e um sueco a facturar golos lá na frente. Pelo meio, Valdo como esteio da normalidade. Foi uma equipa de sonho que alcançou a final da Taça dos Campeões Europeus logo na primeira época de Magnusson de águia ao peito (a do penalty de Veloso, frente ao PSV) . O sueco foi aliás uma autêntica revelação, com 13 golos em 26 jogos disputados (média de um golo a cada 2 jogos).

Mas o melhor estava para vir. Numa fase do futebol português em que o vice-campeão costumava fazer carreiras fantásticas a nível do futebol europeu (nas 3 finais em 4 anos, tanto Porto como Benfica nunca conseguiram ganhar o campeonato quando chegaram à final da Taça dos Campeões), Magnusson sagrou-se campeão por 2 vezes nas 5 épocas em que esteve no Benfica, ambas sob o comando de Sven-Goran Eriksson, o outro sueco que trouxe Thern e que foi capaz de entender a melhor forma de rentabilizar todo o potencial de Magnusson. Resultado: melhor marcador do campeonato em 89/90 com 33 golos! Pelo meio, foi atingida novamente a final da Taça dos Campeões, infelizmente perdida para um Milan de outro planeta (Baresi, Maldini, Rijkaard, van Basten, Gullit...).
Foram de facto épocas de sonho para o Benfica e para Magnusson, que entretanto, ao nível da selecção sueca, foi construindo alguma reputação, acabando por jogar por 30 ocasiões pela selecção do seu país (9 golos), onde teve uma passagem infeliz pelo Mundial de 90 (apenas 45 min em 3 jogos e uma lesão contraída que o afastou 1 ano dos relvados).
Talvez o seu maior mérito na Suécia tenha sido mesmo o do ensino, pois jovens como Brolin, Dahlin e mesmo o mítico Larsson, todos eles tinham algo de Magnusson, fosse a mobilidade e posicionamento frente à baliza ou meramente o instinto de predador.
Estou em crer que, embora bem servidos por Gomes e Manuel Fernandes, os rivais internos do Benfica sentiram certamente alguma inveja quando olhavam para aquele louro e alto rapaz, capaz de marcar golos e decidir jogos, com um à vontade incrível, de quem estava ali apenas a cumprir uma função. Essa marca de profissionalismo, além da estatística, é claramente o seu melhor legado, ainda que muito desrespeitado pelos actuais plantéis encarnados.

Como curiosidade final, assinalar que Magnusson esteve presente em Copenhaga na pré-eliminatória da Champions do ano transacto, com o seu belo cachecol do Benfica. Se ainda procuram mística, hei-la!

* O lançamento de jovens extremos portugueses foi uma das melhores heranças de Eriksson, entretanto perdida em todo o caos em que o Benfica entrou na década de 90. Diamantino, Paneira ou Chalana não são apenas marcas do Benfica, são forças de identidade do mesmo! O facto do Benfica ter sido a última vez campeão graças à excelente forma de Simão, não é alheio a este facto. O clube da Luz gosta e acarinha os jogadores que partem sem medo pelas alas e, como se sabe, um jogador acarinhado na Luz é meio caminho andado para ganhar a confiança necessária para se tornar numa estrela e consequentemente, ganhar títulos.

Jogadores para análise futura: Acosta e Schmeichel - o título 18 anos depois