Wednesday, May 19, 2010

O rídiculo

Maradona prosseguiu hoje o seu processo de suícidio desportivo ao anunciar a lista definitiva para o Mundial 2010. Se, efectivamente, são estes os representantes albicelestes no Mundial, Maradona comete assim vários e graves erros que dificilmente serão desculpados pelo povo que hoje, ainda ama o astro sul-americano.

A convocatória

Guarda-redes:
Andujar (Catania/ITA)
Sérgio Romero (AZ Alkmaar/HOL)
Diego Pozo (Colón)

Defesas:
Ariel Garce (Colón)
Clemente Rodriguez (Estudiantes)
Burdisso (Roma/IA)
Walter Samuel (Inter/ITA)
Otamendi (Vélez Sarsfield)
Demichelis (Bayern/ALE)
Heinze (Marselha/FRA)

Médios:
Mascherano (Liverpool/ING)
Jonas Gutierrez (Newcastle/ING)
Mario Bolatti (Fiorentina/ITA)
Juan Veron (Estudiantes)
Javier Pastore (Palermo/ITA)
Maxi Rodriguez (Liverpool/ING)
Di Maria (Benfica/POR);

Avançados:
Aguero (Atlético de Madrid/ESP)
Higuain (Real Madrid/Esp)
Messi (Barcelona/ESP)
Diego Milito (Inter/ITA)
Tevez (Manchester City/ING)
Martin Palermo (Boca Juniors).

Os erros

Vou deixar o pior para o fim. Por agora falarei apenas no que é bom, isto é, o ataque da Argentina. Já aqui neste blog tinha sido referido que a Argentina apresenta-se na África do Sul com um ataque de sonho, do qual fazem parte o melhor do Mundo (Messi), o futuro melhor do Mundo (Agüero), um dos avançados mais em forma do momento (Milito), o jogador que qualquer treinador - excepto Ferguson - gosta de ter na equipa (Tévez) e um dos grandes ídolos do Real Madrid (Higuaín). Poderia aqui figurar um dos melhores avançados europeus da actualidade (Lisandro) mas Maradona optou por um avançado em declínio de carreira mas do seu clube do coração (Palermo). Começa aqui um dos muitos erros cometidos por Maradona.

Na defesa a aposta é clara na veterania (Burdisso, Samuel, Heinze e Demichelis) o que torna ainda mais inexplicável a ausência de Zanetti, do qual mais a frente voltaremos a falar. Preenchem as vagas dois jogadores que disputam o campeonato argentino (Ariel Garce e Clemente Rodriguez), dos quais se espera que tenham problemas de adaptação aos tacticamente evoluídos jogadores europeus. Recuando um pouco mais, o guarda-redes titular será Romero ou Andujar, ambos jogadores de nível secundário, muito longe dos guarda-redes das selecções rivais que defendem os melhores clubes europeus (Júlio César, Casillas, Buffon ou Lloris).

Passamos agora ao pior: não convocar Cambiasso é quase um crime, mas deixar de fora Lucho Gonzalez é de quem não está a par do futebol actual. Percebo o fascínio de Maradona pelo Calcio, onde jogou e foi estrela, mas dificilmente se percebe como é possível deixar de fora um dos médios mais completos do futebol mundial e campeão em França, apostando ao invés num jogador que não se conseguiu afirmar em Portugal (Bollatti), num campeão da 2ª Liga Inglesa (Gutierrez) ou num velhote (Véron), que apesar de continuar a ser um grande líder, não tem certamente pernas para acompanhar os jovens talentos do Mundial. Até a aposta em Maxi Rodriguez é, no contexto de hoje, muito arriscada, pois saiu do Atlético para se afirmar em Liverpool, falhando claramente nessa mudança. Por fim, Zanetti seria, quanto a mim, um nome que devia figurar em qualquer equipa do planeta devido à continuidade e constância que leva na última década, mas estranhamente não faz parte da lista de Maradona.

Podíamos ainda incluir Aimar, Riquelme, César Delgado ou Zaraté na discussão mas tudo isso são opções que terão a sua explicação quando Maradona tenha que responder pelo fiasco que será a Argentina neste Mundial. Neste momento não dou nada por eles, mas já se sabe como é o futebol...

2 comments:

El rincón del balompié said...

Argentina tiene unos atacantes buenísimos y una defensa experimentada. Pero no tiene los centrocampistas adecuados, que no creo que sepan surtir balones a sus delanteros.

Un saludo

Rui Gonçalves said...

Foi um crime de "lesa pátria" deixar de fora Cambiasso, que fez uma grande época como esteio do meio-campo do Inter de Mourinho, mas sobretudo Zanetti, a personificação do profissionalismo e classe ao serviço da equipa: com 36 anos fez mais uma época notável, culminada com a jogada para oferecer o golo a Milito na última jornada do calcio.