Thursday, June 28, 2012

Portugal no Europeu 2012: 
Uma história de má sorte?




Ponto prévio: Para mim há sorte e azar no desporto. Por muito treino que exista, quem já chutou uma bola repetidas vezes ao mesmo alvo, sabe que o pé até pode embater exactamente no mesmo sitio que no remate anterior que a bola pode sair numa direcção totalmente oposta ao que queríamos. À vezes ao tentarmos melhorar um remate e quando pensamos que já acertámos na maneira correcta de o fazer, lá ficamos estarrecidos ao ver que a bola sai cada vez mais lado a cada nova tentativa. Claro que o vento, o tipo de bola, a força aplicada e o local exacto de contacto entre a bola e o pé nunca é o mesmo e todos estes factores são motivos de diferença, mas ainda assim, acredito que há uma componente de sorte no desporto. 

Sorte essa que normalmente, acompanha as equipas que mais a procuram, isto é, equipas que mais chutam, que mais dribles, desmarcações e automatismos tentam e que melhor posicionadas estão em campo. É habitual ouvirmos alguém queixar-se que os ressaltos vão sempre parar à mesma equipa, quando o posicionamento da mesma equipa é que dita a melhor ou pior probabilidade de reter a posse de bola. Ainda assim, e quando falamos em probabilidades, não podemos nunca descurar o factor aleatório, ou seja, a nua e crua sorte.

Neste sentido, acho que a prestação de Portugal no Europeu 2012 tem vários aspectos de sorte e de azar ao longo do torneio. Não concordo com Paulo Bento quando disse que faltou sorte à selecção, pois em alguns momentos fomos bafejados por ela. Entre esses momentos de fortuna, esteve o adversário dos Quartos-de-Final: a República Checa. Se analisarmos o leque das últimas oito equipas presentes no torneio, só a Grécia era um adversário acessível (ainda que o trauma de 2004 estivesse bem presente). Todas as outras são equipas com as quais Portugal tem histórico negativo (exceptuando os últimos anos face aos ingleses) e com as quais a decisão seria muito mais complicada do que a apresentada face à República Checa. 

Claro que podem dizer-me que só nos calhou esse rival porque saímos vivos do grupo da morte, ditado pelo azar do sorteio, mas a isso respondo que por não sermos cabeças-de-série, a probabilidade de calharmos num grupo difícil era logo à partida muito real. Certamente que os suecos também não gostaram do sorteio, tal como os croatas, todos eles concentrados em grupos igualmente complicados. Faltou sorte na tentativa de ir parar ao Grupo A (o da Grécia), mas ao mesmo tempo não foi mau ficarmos longe da história negra que temos com italianos, franceses e espanhóis.

Voltando ao rival dos Quartos-de-Final, achei igualmente afortunado não termos coincidido com a Rússia, a previsível campeã do grupo A que, por excesso de confiança, acabou por não passar à fase seguinte. Ao fim da primeira jornada da competição, admito, era a Rússia a equipa que mais temia, tanto pelo futebol praticado como pela personalidade demonstrada. Não passaram os russos e ainda bem, pois os checos e o seu futebol sólido mas pouco efusivo, foram presa fácil para um Portugal que tinha acabado de sair do grupo da morte com vontade de devorar o que lhe aparecesse no caminho. 

Nesse jogo, assim como já tinha acontecido nos jogos anteriores, a trave e os postes da baliza foram bons ajudantes dos guarda-redes adversários. Falou-se muito da falta de sorte dos portugueses e aí só posso concordar, pois não é muito normal enviar tantas bolas ao ferro em tão poucos jogos. Para cúmulo, foi também por aí que Portugal perdeu nas grandes penalidades contra a Espanha: Bruno Alves manda à trave e a bola ressalta para fora enquanto Fábregas manda ao poste e caprichosamente a bola entra na baliza. Faltou a sorte aqui que tivémos no remate de Van der Vaart ao poste ou nas perdidas de Van Persie e Huntelaar no jogo contra a Holanda, um dos mais bem conseguidos da selecção neste Europeu e ao mesmo tempo, um dos jogos onde o factor sorte não se virou contra nós.

Diz-se que a sorte protege os audazes, e aqui Paulo Bento pode ter razão se acrescentar que não houve neste Europeu selecção que merecesse mais sorte que Portugal face à coragem demonstrada (excepção aos primeiros 70 minutos do torneio). Em contrapartida, a Espanha está na final com um dos mais talentosos e brilhantes plantéis de que há memória e ainda assim, prefere refugiar-se num jogo de passe curto, só atacando pela certa, dominando apenas a posse de bola. Perde o futebol, ganha Platini.

Tuesday, February 07, 2012

Principais ligas europeias: Itália

Estes textos pretendem traduzir o que tem acontecido nos pricipais campeonatos europeus, a classificação, as equipas e jogadores em destaque.

Em Itália, o campeonato está bem aceso na luta pelos lugares cimeiros, com os seis primeiros separados por onze pontos.

Juventus segue na frente, com menos um jogo e mais um ponto do que o Milan e ainda sem derrotas. Desde há muito tempo que não se via a vecchia signora em tão boa posição para lutar pelo scudetto. Matri tem sido um dos grandes destaques na Juve.
O Milan e o seu fabuloso trio de ataque Ibrahimovic-Pato-Robinho têm estado também em grande forma, secundados por um meio-campo em bom plano, sobretudo Nocerino e Boateng.
Em terceiro e quarto lugares seguem a sensação Udinese, com o goleador Di Natale mais uma vez a fazer uma excelente época, e a Lazio, com Klose também em plano de destaque.
O Inter tem estado a fazer um campeonato muito irregular e nem mesmo com o regresso de Ranieri ao comando dos nerazzurri as coisas parecem correr de feição. Apesar de tudo, Milito continua em grande.
Depois de um começo titubeante, a Roma de Luís Enrique está agora no sexto posto, tendo vencido categoricamente o Inter na última jornada.
Como quase todas as equipas "menores" que ganham um lugar na Champions, no ano seguinte as coisas não correm tão bem no campeonato, maioritariamente porque os seus jogadores não estão habituados à rotina e sobrecarga de jogos: Assim se passa com o Nápoles, que segue em 7º lugar, seguido de Palermo, Génova e Fiorentina, todas equipas com jogadores para vôos mais altos do que as posições que ocupam.

Jogadores em destaque: Nocerino, emprestando classe e golos decisivos ao meio-campo do Milan; os eternos Totti e Del Piero, jogadores de grande categoria que continuam a ser decisivos na manobra das suas equipas; e para surpresa de todos, os grandes jogadores em destaque têm sido os avançados: Ibra, melhor marcador da prova, tem estado ao seu nível; o terrível goleador de Udine, Di Natale; Jovetic, jovem prodígio dos viola; Cavani e a sua veia goleadora; o nosso bem conhecido Miccoli; Denis, o novo ídolo do Atleti Azzurri; e Palacio, o móvel avançado do Génova.


Classificação Serie A 2011/2012



Taça da Liga



O último fim-de-semana serviu para ver quem são os apurados para as meias-finais da Taça da Liga 2011/2012.

O Gil Vicente ganhou um lugar na ronda seguinte ao vencer na deslocação a Alvalade, onde o Sporting só se pode queixar da falta de soluções ofensivas e defensivas. Depois de ter sido herói, Onyewu não merecia tamanho "castigo" ao fazer o penalty para o golo de Cláudio e correspondente segundo cartão amarelo. O lance deixou muitas dúvidas, parecendo que a falta foi fora da área. Apesar de uma boa reacção, os leões não conseguiram inverter o resultado, tendo até estado muito perto num lance de Carrilo, com um remate ao poste. O jovem peruano tem sido um dos mais inconformados e que tem causado maiores desiquilíbrios nas defesas contrárias.

O Porto recebeu e venceu o Setúbal, com os dois reforços de Inverno, Janko e o regressado Lucho, a marcarem na estreia. Com Lucho a comandar o meio-campo. bem secundado por Moutinho, e com as movimentações de Janko na frente, o Porto controlou as operações e, mesmo sem fazer um jogo brilhante, foi bastante mais sólido do que em partidas anteriores, o que permitiu aos azuis-e-brancos jogarem sem grande pressão e vencerem com tranquilidade.

O Benfica venceu o Marítimo, numa partida que se antecipava complicada para os encarnados, uma vez que os insulares foram a única equipa que havia vencido os da Luz. Num jogo aberto e bem disputado, o Marítimo podia ter aproveitado logo aos 3 minutos, por Sami, que isolado perante Eduardo não conseguiu marcar. Depois foi a vez de Saviola e Nélson Oliveira não conseguirem abrir o marcador, mas o jovem português, após assistência de el conejo, marcou mesmo no lance seguinte. No segundo tempo, a má decisão na expulsão de Pouga facilitou a vida ao Benfica, que marcou duas vezes, ambas por Rodrigo após assistências de Gaitán.


O Braga venceu tranquilamente o Portimonense com um golo de Hugo Viana, já nos final do jogo, garantindo também um lugar na fase seguinte da prova.


Meias-finais:


Benfica - Porto

Braga - Gil Vicente

Friday, February 03, 2012

Liga Portuguesa 17ª jornada

Aqui fica um breve resumo dos mais importantes jogos da 17ª jornada da Liga Zon Sagres.


Feirense 1 - 2 Benfica



O Feirense pratica um futebol agressivo, tem uma equipa lutadora e organizada e vendeu cara a derrota a este Benfica. Com Ludovic e Varela em bom plano, cedo se percebeu que o jogo não estava para jogadores menos agressivos como Aimar e Bruno César, ambos muito longe do seu rendimento habitual. Apesar de uma primeira parte bem disputada, com oportunidades de parte a parte (Rodrigo por duas vezes e Hugo Vieira num cruzamento que acabou por ir na direcção da bailza e tocou ainda na trave), o resultado manteve-se nulo até ao intervalo.
Na 2ª parte, o Feirense marcou de canto, por Varela, antecipando-se no primeiro poste à defensiva encarnada. Volvidos 4 minutos, o mesmo Varela desvia para a própria baliza, quando já estavam preparados dois jogadores do Benfica para finalizar o cruzamento de Maxi Pereira. Com a igualdade alcançada em tão pouco tempo, com as entradas de Nolito e Gaitán para os lugares de Bruno César e Aimar e a passagem de Witsel para o miolo, o Benfica carregou e logrou o empate, através de um penalty convertido por Cardozo, a castigar derrube de Rodrigo na área.

Até ao final de jogo, o Feirense deu boa réplica, nunca se coibindo de partir para cima do Benfica, com os encarnados a espreitarem o contra-ataque, podendo mesmo ter ampliado a vantagem perto do final, por Rodrigo, que fugiu a Varela e, isolado perante Paulo Lopes, permitiu a defesa do experiente guarda-redes.

Melhor em campo: Rodrigo - o avançado hispano-brasileiro teve uma mão-cheia de oportunidades e ainda "cavou" o penalty que deu a vitória aos encarnados; decisiva a entrada de Nolito, num jogo à sua medida

Gil Vicente 3 - 1 Porto



O Porto estava pressionado pelo resultado do Benfica e entrou talvez algo ansioso no jogo. A verdade é que a boa organização do Gil Vicente, que já tinha apresentado bons argumentos na jornada anterior na Luz, criou muitas dificuldades ao Porto e os seus jogadores, sobretudo no meio-campo, não conseguiram impor o seu jogo.
Cláudio, dando seguimento de cabeça ao um livre lateral, abriu o marcador para os gilistas. O mesmo Cláudio ampliou a vantagem através da marca de grande penalidade, a castigar mão na bola de Otamendi.
Na 2ª parte a toada foi a mesma: o Porto a não conseguir fazer ligação entre o meio-campo e o ataque e os gilistas a controlarem as operações, espreitando o contra-ataque. André Cunha, num grande lance individual em que "partiu" os rins a Rolando, fez o 3-0 e praticamente acabou com o jogo. Varela ainda reduziu aos 77 minutos mas o destino dos 3 pontos já estava traçado.
Os portistas queixam-se da arbitragem em dois ou três lances mal ajuizados, como uma cotovelada a Defour na grande área do Gil que passou impune, mas também os de Barcelos têm razões de queixa em outros tantos lances.
O que fica é um dos piores jogos, sobretudo colectivos, da equipa do Porto e quando não há individualidades que resolvam como já aconteceu anteriormente, nestes jogos menos conseguidos o Porto não consegue praticar um bom futebol e parece sem ideias em termos ofensivos.

Melhor em campo: Cláudio - o defesa gilista foi o goleador de serviço, marcou de cabeça num livre lateral e depois de penalty, ajudando e de que maneira a construir a vitória dos de Barcelos


Sporting 2 - 0 Beira-Mar



Num jogo que se previa à partida complicado, quer pelo momento menos bom do Sporting quer pelo adversário, os leões responderam com alguma dose de empenho e felicidade, que tanto tem faltado ao conjunto de Alvalade. Aliado a estes factores, a eficácia nos lances de bola parada "descomplicou" o jogo.
Onyewu, por duas vezes, fixou o resultado final, num jogo que o Sporting controlou na maior parte do tempo, mas onde o Beira-Mar teve alguma falta de eficácia e sorte (sobretudo em dois lances que atirou ao ferro da baliza de Rui Patrício), em suma, tudo aquilo que o Sporting teve e que, no final, fez a diferença.

Melhor em campo: Onyewu - o "Capitão América" resolveu o jogo com duas cabeçadas fulminantes, demonstrando mais uma vez toda a importância dos lances de bola parada e de "laboratório", onde o Sporting nos últimos tempos não tem conseguido fazer a diferença, nem em termos ofensivos nem defensivos.

Thursday, February 02, 2012

Notas sobre o Barcelona - Real Madrid



Se já antes era um clássico intenso, agora com a rivalidade Pep-Mou tornou-se irresistível de ver.
Eis algumas breves notas sobre o desenrolar do jogo:

- o Barça não merecia ter, sequer, empatado o jogo, quer pelo jogo jogado quer pelas oportunidades de golo

- o Barcelona fez o resultado em dois lances fortuitos, completamente contra a corrente do jogo; jogadas de génio de Messi na assistência para o golo de Pedro e pontapé fulminante de Dani Alves no 2-0(é preciso ter génios que decidam mas foram apenas dois lampejos num jogo muito cinzento dos catalães)

- o Real Madrid teve as melhores oportunidades na 1ª parte e desperdiçou por Ronaldo, Káká, Sérgio Ramos e Özil

- depois de dois golos em 5 minutos antes do intervalo, o Real veio para a 2ª parte a jogar e a carregar ainda mais do que na 1ª parte, quase fazendo a remontada

- o árbitro encarregou-se, como tem sido sempre nos últimos anos, de inclinar o campo a favor do Barça; talvez tenha perdoado a expulsão a Diarra (o 1º amarelo foi, no entanto, mal mostrado), mas o golo anulado a Ramos numa altura crucial do encontro e a sua expulsão, mais tarde, foram más decisões com influência directa e indirecta no resultado; nos lances divididos apitou sempre a favor dos catalães

- viu-se que, por vezes, o Barcelona não faz mais do que anti-jogo

- na altura de maior pressão do Real Madrid, o Barça desapareceu, não se viu Xavi, Piqué, Puyol (ainda deve andar à procura dos rins no lance do golo de Benzema) ou Fabregas pegarem no jogo e controlar o adversário, como muitas vezes fazem

- há adeptos dos blaugrana que ainda não devem ter unhas, tal o medo que sentiram quando perceberam que a sua equipa não tinha o controlo do jogo nem do resultado e viram o adversário reduzir a diferença no marcador; Camp Nou em silêncio durante muitos momentos

Notas finais: o Real Madrid fez um grande jogo e só não o ganhou porque o árbitro não deixou. Confesso que tenho uma relação de amor-ódio com este Barcelona. Não consigo ficar indiferente, como é óbvio, à classe de Messi, Xavi, Iniesta, Fabregas, Dani Alves, Puyol, Piqué e companheiros, ás suas geniais jogadas individuais e colectivas. Por outro lado, quando o Barça se põe em vantagem dou por mim a bocejar. Parece-me estar a ver um qualquer Paços de Ferreira ou Olhanense quando jogam contra um grande e se vêm a ganhar: é perder tempo, jogar no lance dividido e ir para o chão, o tempo a correr. O futebol do Barcelona passa num ápice de categórico a arrogante e sobranceiro e nunca é bom ter essa abordagem de "somos tão bons que ninguém nos ganha". E quando se vêm encurralados pelas circunstâncias de jogo, o Barcelona raramente sobrevive: empatou com o Real, perdeu pontos com Valência, Villarreal (que é de momento das mais fracas equipas de Espanha), Espanyol ou Getafe, sempre em jogos onde não conseguiu fazer valer esse futebol arrogante porque teve de correr atrás do prejuízo.

A equipa parece formatada para atacar e marcar primeiro, não tem um plano B nem recorre a jogadores de características diferentes. Tem um modelo de jogo sólido, anos a fio a ser limado na equipa principal e na cantera, onde os jogadores parecem fotocópias de fotocópias. Outra ponto que por vezes me surpreende é no plano defensivo. Tem um quarteto de luxo (Dani Alves-Piqué-Puyol-Abidal) mas a equipa não sabe...defender. Está de tal maneira formatada no plano ofensivo que muitas vezes esquece as transições defensivas e os movimentos defensivos colectivos, que não existem. Há um notório posicionamento de alguns jogadores para colmatar essa lacuna mas a equipa não consegue sofrer, não sabe jogar sem bola no plano defensivo. Parece meia-equipa. Os italianos, por seu turno, são mestres neste aspecto do jogo. Não é à toa que Mourinho ganhou com o Inter: os seus jogadores estavam talhados para determinados conceitos e momentos de jogo para os quais o Barça não tem a mínima ideia porque raramente passa por eles. Mas quando passa, claudica.

Alguns chamar-me-ão louco, mas pensem um pouco e vejam o Barça a jogar: toda a gente fica de tal maneira hipnotizada com o processo ofensivo que esquece tudo o resto.

Monday, January 23, 2012

Uma análise ao Sporting 2011/12



Não se fazem omoletes sem ovos. O chavão é mais que batido mas continua a servir na perfeição como metáfora de algo óbvio mas que alguns continuam sem ver ou perceber.


Assim se enquadra o momento do Sporting. Os adeptos, depois de anos a verem campeonatos correr como água debaixo da ponte, assim que vislumbram algo positivo entram em euforia, desejosos de ver cumpridas as suas ambições de mais um título. Isto acontece com todos os adeptos dos chamados grandes, nos últimos anos talvez menos com os de Benfica e Porto, mas apesar de tudo em semelhante medida. Os adeptos leoninos, sequiosos de vitórias ou de, simplesmente, ver bom futebol, entusiasmaram-se e com eles a equipa, que passou por um bom período de jogos com vitórias consecutivas, alguns momentos de bom futebol, golos, em suma, o vislumbre de uma equipa.


Mas os testes mais difíceis estavam para chegar e com eles claudicou o Sporting. Perdeu com o Benfica num jogo em que esteve praticamente uma parte em superioridade numérica, onde não foi capaz de criar uma situação de golo nem sequer para empatar o resultado. Depois em casa com o Porto também não foi capaz de ganhar, num empate que castigou duas equipas sem ambição, num jogo insípido e totalmente desprovido de interesse futebolísticamente falando, mas onde a vitória interessava mais ao Sporting para não se atrasar ainda mais face à concorrência e mostrar, perante os seus adeptos, que podiam conter com ele para a luta dos lugares da frente. Finalmente com o Braga, numa deslocação estes dias sempre difícil, o Sporting também não foi capaz de um futebol competitivo e, com dois erros defensivos tremendos, perdeu claramente. Os empates cedidos no início o novo ano podem ser explicados apenas pelo moral em baixa de uma equipa presa e a jogar já sobre brasas.

Vemos então que a equipa não estava ainda preparada para a competitividade face aos outros três maiores adversários, equipas com espinha dorsal e modelos de jogo definidos há vários anos. Mas nem Godinho Lopes, nem Luís Duque nem Domingos têm a receita da poção mágica nem dotes de magia para mascarar algumas das deficiências da equipa.
Desde logo a contratação de 19 novos jogadores, que proporciona muito trabalho para os entrosar, formar um grupo, adaptarem-se à realidade do clube e do futebol, do clima, do facto de terem cá a família, casa, carro e outros aspectos extra-futebol que os adeptos normalmente tendem a esquecer.


Tomemos como exemplo o primeiro ano de Jesus à frente do Benfica. Toda a gente achou um grande feito, ser campeão logo no primeiro ano, mas a verdade é que Jesus pouco ou nada fez em relação aos seus jogadores. O Benfica já tinha a matéria-prima: jogadores com vários anos de casa (Luisão, Quim, Maxi Pereira, Aimar, Cardozo), percebia-se o potencial de jogadores como David Luiz, Di Maria e Fábio Coentrão, que também já militavam na Luz há dois ou três anos. O que faltava ao Benfica era um modelo de jogo claro e alguém que pusesse as peças nos lugares certos para a máquina começar a funcionar. Aqui o trabalho de JJ foi perspicaz e importante. Com as boas exibições de pré-época de Di Maria e com Coetrão a mostrar serviço sabia que não podia jogar com os dois simultaneamente, então puxou Coetrão para lateral, sabendo do desejo do caxineiro em mostrar serviço. "Trancou" o meio-campo com as chegadas de duas pedras fundamentais para o modelo de jogo: um nº6 posicional, forte no momento defensivo, na ocupação dos espaços e sem vocação ofensiva (Javi Garcia) e com tão poucas unidades para defender, sabendo da propenção ofensiva dos laterais, teria que ter alguém do meio-campo que fizesse as recuperações nas transições defensivas e equilibrasse a equipa (Ramires). Mais à frente juntou Saviola a Cardozo, que tinha marcado 17 golos quase só na 2ª volta do campeonato, para lhe dar mais liberdade, com Aimar e Di Maria a municiar os dois. Assim, ao mesmo tempo que equilibrava a equipa, libertava algumas pedras fundamentais, os golos e as exibições apareceram em consequência e o Benfica voou para o título.

É nisto que o Sporting ainda tem de ter...paciência. Grande parte da matéria-prima não estava no clube, não há ainda um modelo de jogo bem difinido nem uma alternativa ao mesmo ou um plano B por assim dizer. Há experiências com os jogadores a rodarem por várias posiçõesem vez de criarem rotinas e não há referências em cada sector pois, seja por lesão ou mau desempenho, não tem havido jogadores indiscutíveis salvo talvez Schaars e João Pereira. O recente incidente de Bojinov mostrou que a equipa está intranquila e que, mais do que isso, não sabe o que está a fazer nem tem ainda confiança no seu método, procurando a todo o custo salvar-se a ela própria.

Faltam então as bases para criar um modelo de jogo sólido onde os jogadores o interpretem de olhos fechados, com rotinas entre posições e um onze-base mais fixo, onde as soluções e alternativas se adequem e encaixem, sem alterar a estrutura de raiz.

Friday, April 29, 2011

Porque é o FC Porto de Villas-Boas um ET?


Deixemo-nos de histórias: este FC Porto não é deste campeonato. É claro que tem momentos de fraqueza, como todas as grandes equipas têm, mas a forma como se abnegam do nervosismo, mesmo perante resultados adversos é formidável. Têm excelentes executantes, plena adaptação aos métodos de jogo do treinador e estrelas que não se julgam melhores que os demais. Pensei que depois de Mourinho não apareceria ninguém capaz de levar mais além a forma de pôr uma equipa a jogar, mas, apesar de não estar enganado, já vou tendo as minhas dúvidas.
Deixo então em 5 aspectos, o que mudou com Villas-Boas no FC Porto:

Mentalidade em campo
Parece que Villas Boas soube tirar o máximo rendimento do episódio do túnel do ano passado: em vez de transformar revolta em agressividade, tornou o sentimento resultante desse episódio numa lição de calma e de necessidade de cabeça fria em situações limites. O golo do Villarreal ao fim da 1ª parte no Dragão desmoralizaria 99% das equipas, não obstante, Villas-Boas tornou essa desvantagem numa lição de mudança de mentalidade e postura em campo que deverá figurar num próximo manual de treinador transformado em bestseller. Como o fez, não se sabe nem deverá ser revelado, o que se sabe é que também contra o Benfica na 2ª mão da taça, assistimos ao mesmo.

Bom futebol
Seja-se adepto ou não, é impossível dizer que o FC Porto joga mal. Tem os seus momentos de penumbra, como todas as equipas, no entanto é na maior parte do tempo de jogo útil uma equipa de processos simples, táctica bem assimilada e que procura as peças certas para resolver mediante a dificuldade imposta pelo adversário. É verdade que o FC Porto tem estofo financeiro para comprar essas peças, mas na realidade raras são as equipas que sabem usar o dinheiro acertadamente para terem várias soluções. O FC Porto têm-nas, e como algumas delas estiveram na órbita dos rivais, ainda mais isso ajuda na construção do próximo aspecto...

Domínio
Neste momento, os adeptos rivais temem o FC Porto. No último ano, mercê da vitória no campeonato por parte do Benfica, não existia de todo este receio, embora muitos se questionassem de como teria sido com Hulk por toda a época. Já neste ano, apesar de bons períodos do Benfica, o vencedor da Liga nunca esteve em discussão: o FC Porto foi melhor do princípio ao fim e o facto de não perder pontos, mesmo quando os adversários faziam uma boa série, mandou abaixo todo o castelo de aspirações aos outros pretendentes do título. Além disso, o peso histórico do últimos 25 anos, a campanha europeia sem mácula e as "marteladas" dadas ao Benfica no campeonato e na Supertaça, deixaram a moral das tropas rivais completamente em baixo.

Preparação física e mental excepcional
Sem receios, o rendimento físico no FC Porto deste ano é quase sobrenatural. Não quero dizer com isto que acredito que haja doping envolvido (apesar de alguns rumores muito marginais), pois se com Mourinho vimos muitas vezes jogadores relativamente acabados/questionados transformarem-se em autênticos super-heróis (Maniche, Milito, Lampard, Benzema, entre outros), com Villas-boas a coisa não fica muito atrás: Sapunaru, Rolando e Moutinho são melhores jogadores do que o eram há um ano atrás. Aproveitando que falámos neles:

Potencialização de jogadores
Villas-Boas parece também ter a varinha de condão para transformar jogadores questionáveis em opções reais para a equipa, senão vejamos: Sapunaru é hoje um lateral muito bom, Rolando comete cada vez menos erros, Helton parece melhor que qualquer outro guarda-redes brasileiro da actualidade, Falcão é melhor agora do que Lisandro o era nos seus melhores tempos de FC Porto, João Moutinho faz um trabalho com muitos melhores resultados do que quando estava no Sporting, Hulk é hoje mais parecido a Messi do que a Ronaldo em termos de jogo de equipa e por fim, aquela que considero a maior revolução: Guarín. Com Villas-Boas, o médio colombiano tornou-se num recuperador de bolas com criatividade e com chegada à área contrária, ou seja, um box-to-box ao melhor estilo de Sneidjer ou Lampard. O seu registo de golos nesta época é notável e de uma progressão que deve ser analisada cientificamente. Assim como este FC Porto, que sem margem para dúvidas, se encontra no conjunto das 10 melhores equipas da Europa na actualidade.


Sunday, February 06, 2011

...

Este blog já teve dias melhores. Muito melhores. Estive algum tempo fora no Mundial 2010 e adiando sempre a merecida actualização, acabei por nunca a fazer. Quando queria finalmente fazê-la, já não fazia muito sentido.

Entretanto, muito já sucedeu nesta época 2010/11. As ligas europeias estão claramente sob dois desígnios: o da competividade máxima (Inglaterra, França, Itália) e da hegemonia unilateral (Espanha, Alemanha, Portugal), os clubes gastam cada vez mais em jogadores, os empresários controlam cada vez mais os clubes e as selecções tradicionalmente fortes vão-se ressentindo pouco a pouco da falta de matéria-prima para trabalhar. Vou continuar a escrever artigos neste blog, não se avizinha todavia nenhum periodização dos mesmos.

Um bem haja a todos vós.

Monday, July 05, 2010

Quartos de Final - Mundial 2010

Uruguai 1 - 1 Gana (4-2 Pen.)
Não assisti ao jogo e só vi o que aconteceu no dia seguinte. Suarez foi transformado em herói nacional no Uruguai graças à sua defesa com a mão que permitiu aos sul-americanos alcançar a lotaria dos penalties, onde foram mais felizes que o último país sobrevivente do continente anfitrião. Espantei-me com a forma como muito clamaram pela injustiça que foi a defesa de Suarez, comparando-a até com a mão de Henry ou o golo anulado a Lampard, quando o que Suarez fez não foi falhanço de ninguém, apenas um jogada que as regras do jogo contemplam. Tudo foi seguido à risca, por isso não vale a pena chorar mais. Brilhante a velocidade de raciocínio do avançado uruguaio em tão curto espaço de tempo.


Brasil 1 - 2 Holanda
Também não vi este jogo mas, ao contrário de muitos, não fiquei muito admirado com o resultado. É certo que esta Holanda está algo distante da que maravilhou antes de chegar ao Mundial, mas ainda assim é uma equipa compacta, que funciona bem em todos os momentos do jogo. Teve alguma sorte neste jogo, mas fez por merece-la, ao contrário do Brasil que jogou como se a camisola bastasse para seguir em frente na competição. Consegui-o na primeira parte, mas na segunda, quando foi preciso um plano alternativo, este não existia.


Alemanha 4 -0 Argentina
Choque só mesmo para quem não viu o jogo, tal o domínio que a Alemanha exerceu no meio-campo, dificultando toda a (fraca) transição defesa-ataque da Argentina. Schweinsteiger brindou-nos com uma exibição absolutamente brilhante, talvez a melhor exibição individual deste Mundial, garantindo um controlo absoluto das operações à selecção germânica, do inicio ao fim do encontro. Magnifica também a forma do jovem Mueller, fazendo jus ao histórico apelido. Da Argentina, de destacar apenas a teimosia de Maradona em jogar numa táctica ancestral, totalmente inadequada ao futebol contemporâneo. Estranhei também porque Aguero teve tão poucos minutos na competição, ele que entrou sempre com ganas em todos os jogos que participou.


Espanha 1 - 0 Paraguai
O maior destaque da partida foi mesmo o árbitro, que errou em quase todas as decisões que tomou. A Espanha, no meio do tumulto, acabou por ser mais feliz, ela que procurou resolver a eliminatória nos 90 minutos, ao passo que o Paraguai jogava também com o relógio. Villa resolveu uma vez mais, marcando um golo que definitivamente não queria entrar (bola 3 vezes nos postes antes do golo). Segue-se agora a Espanha, naquele que será porventura o jogo mais equilibrado deste Mundial.

Monday, June 28, 2010

Só os ingleses nos conseguessem fazer rir!

É certo que a comédia britânica é uma referência mundial no mundo do humor, mas além disso, a selecção inglesa tenta fazer o mesmo ou melhor que a mítica Britcom. Senão vejamos:

Antes do jogo, a imprensa britânica pedia
para os jogadores se lembrarem disto:


E o cómico resultado foi este:



Brilhante!!!

Thursday, June 24, 2010

Finalmente!

Um Japão que vence e convence!

Uma das surpresas mais agradáveis deste Mundial. Desde que me decepcionaram em 1998, deixei de acreditar na beleza e carácter exótico do futebol japonês, mas finalmente conseguiram largar as amarras e alcançar um feito incrível: qualificarem-se para uma segunda fase do Mundial fora do seu país, sem ajudas externas e com um futebol de marca, sem imitações, tal como a Coreia do Sul já havia feito há dois dias atrás. Acrescentando a boa impressão deixada pela Nova Zelândia e uma Austrália que arrancou tarde demais, o futebol a Oriente está de parabéns. E sim, não mencionei a Coreia do Norte de forma a não estragar o post...

P.S: Pedro, apaguei o teu post pois o vídeo tinha sido removido pelo youtube. Depois tentas de novo. Vai contribuindo!

Monday, June 21, 2010

Assim sim!

Portugal 7 - 0 Coreia do Norte

Portugal garantiu praticamente a qualificação para os Oitavos do Mundial, após uma exibição magnífica, principalmente na 2ª parte, onde o desnorte da Coreia levou os asiáticos a sofrerem uma pesada goleada que ficará na história dos Mundiais. Através de notas rápidas, ficam aqui registado este brilhante momento da selecção das quinas:

- Ronaldo quebrou o jejum de golos que durava à cerca de 2 anos;
- 4 dos 7 golos foram marcados por jogadores a actuar em Espanha, 3 por parte de jogadores do Atlético de Madrid (Tiago e Simão);
- Portugal nas duas vezes que encontrou a Coreia do Norte nos Mundiais passou a somar um saldo favorável de 12 golos marcados contra 3 sofridos.
- Na primeira parte e até ao golo de Raúl Meireles, Portugal e Coreia estavam empatados em remates (4 para cada lado)

Crónicas do Mundial 2010

Primeira Fase
Jornada 2

França 0 - 2 México

Não vi a primeira parte, mas também não importou muito, pois foi na segunda que se deu aquilo a quem nem devemos chamar surpresa, pois a França jogou sem pés nem cabeça, ao passo que o México aproveitou da melhor forma esse estado vegetativo francês (e a passadeira estendida pelo árbitro) para ganhar 3 pontos e olhar para os Oitavos com olhos bem arregalados, enquanto que em Paris, tal como muitos turistas, o melhor mesmo será ver o que resta do Mundial de binóculos, ou em bom português, por um canudo.
Melhor em campo: Chicharito Hernandéz
Arbitragem: Péssima


Argentina 4 - 1 Coreia do Sul

Grande jogo de futebol, no qual o resultado não espelha o que se passou em campo. O jogo foi muito equilibrado, tendo a Coreia criado perigo mais ou menos alarmante na defesa argentina, sobretudo na segunda parte. Pelo outro lado, os argentinos conseguiram obter uma boa percentagem de aproveitamento dos remates com direcção da baliza sul-coreana, ganhando assim uma clara vantagem no resultado, que poderia ter sido bem diferente caso os coreanos fossem mais eficazes em frente à baliza de Romero. Quanto a notas individuais, Messi está a realizar um excelente Mundial, assim com Heinze e Jing-Su Park. Além destes, a Argentina ganhou neste dia mais duas peças inspiradas: Higuaín e Agüero.
Melhor em Campo: Higuaín
Arbitragem: Boa


Alemanha 0 - 1 Sérvia

So vi o final do jogo, quando uma Alemanha enfraquecida por jogar com um a menos lutava como conseguia face a uma Sérvia fortíssima, que ainda teve algumas ocasiões para aumentar a vantagem.
Melhor em campo: Stojkovic
Arbitragem: Medíocre


Inglaterra 0 - 0 Argélia

Vi a segunda parte e que jogo mais sem sal a que assisti. Não existiram situações de golo, a Inglaterra teve uma dificuldade imensa em fazer transições ofensivas e a Argélia tentava sempre que podia o contra-ataque através de Belhadj. Gerrard e Lampard continuam sem funcionar bem em conjunto, Rooney perdeu-se no meio dos bons centrais argelinos e as alterações operadas por Capello nas alas não resultaram em nada. Ficou evidente que falta um plano B à selecção inglesa.
Melhor em campo: Belhadj
Arbitragem: Boa


Holanda 1 - 0 Japão

Apenas assisti à segunda parte, ainda a tempo de ver um jogo com alguma agitação, mercê do golo de Sneidjer, que motivou o Japão a mostrar mais jogo ofensivo, o qual não chegou para empatar a partida. O golo teve grande colaboração do guarda-redes nipónico e acabou por resultar nos três pontos e consequente qualificação da Holanda para os Oitavos. Missão cumprida, mas sem a intensidade que os holandeses mostraram anteriormente. Jogando desta forma, duvido que cheguem ao seu objectivo mínimo que são as meias-finais.
Melhor em Campo: Tulio Tanaka
Arbitragem: Boa


Camarões 1 - 2 Dinamarca

Excelente jogo, pelo menos o tempo que vi (segunda parte quase por inteiro). Eto'o deu vantagem após desconcentração (mais uma) na defensiva dinamarquesa, que acabou por se redimir através de um bom trabalho nos últimos 20 minutos, onde impediram os Camarões se alcançarem no mínimo um golo que os mantivesse em prova. Relativamente ao ataque, Bentdner esteve muito bem e Romedahl teve um momento de inspiração (devidamente ajudado por uma defesa africana muito lenta na recuperação) que decidiu o jogo.
Melhor em campo: Kjaer
Arbitragem: Razoável


Espanha 2 - 0 Honduras

Espanha ao nível que nos habitou, mas muito perdulária. Podiam ter igualado a goleada de Portugal, mas Torres e seus companheiros não estavam particularmente inspirados. Salvou-se Villa, que ainda assim falhou um pénalti.
Melhor em campo: David Villa
Arbitragem: Péssima

Sunday, June 20, 2010

O Sporting e a falsa questão do guarda-redes

Ninguém me tira da ideia que todos os nomes de guarda-redes que saíram nas páginas da comunicação social para a baliza do Sporting não passam de uma de três teorias:
1) a primeira e que eu estranharia mais diz respeito a algum conflito que a comunicação social tenha com Rui Patrício,
2) a segunda - aquela em que eu tenho vindo a acreditar cada vez mais - diz-me que a imprensa desportiva portuguesa está a fazer um teste ao Sporting e a à sua recentemente eleita direcção. Esse teste consiste em lançar tantos nomes para a frente que eventualmente, o Sporting pegue em algum desses nomes e acabe por planificar a sua época de acordo com aquilo que dizem os jornais e não de acordo com aquilo que a direcção técnica do clube acredita.
3) a última teoria e que eu considero a mais provável diz respeito aos bufos do Sporting, de que Paulo Bento já falava. Em alguma conversa privada, alguém deve ter ouvido Paulo Sérgio a dizer que queria uma guarda-redes experiente e de craveira internacional e partindo daí, a notícia espalhou-se para os jornais que, em catadupa, vão mandando nomes para o ar a ver quem acerta primeiro na real contratação.

Para mim, ainda que tudo isto esteja a acontecer, é tudo uma falsa questão, pois Rui Patrício é dos melhores guarda-redes da sua geração, com experiência acumulada na nossa liga e cujo valor não deve ser posto em causa só por uma época em que as coisas correram mal a praticamente todos do plantel.

Sunday, June 13, 2010

Crónicas do Mundial 2010

Primeira Fase
Jornada 1


Não tenho o tempo necessário para ver quantos jogos queria neste Mundial, no entanto e aos poucos, consigo ver um ou outro jogo por inteiro. As crónicas que aqui deixarei são dos jogos que consegui ver na íntegra, assim como daqueles que vi pelo menos uma das partes.


Argentina 1 - 0 Nigéria

Jogo bem conseguido por parte dos albicelestes, face a uma selecção sempre difícil de defrontar como é a da selecção do corno de África. Messi respondeu à chamada do dever por parte da sua selecção e destacou-se como o elemento mais perigoso em campo, só não marcando devido à capacidade quase sobre-humana do guarda-redes Enyeama, que impediu de forma espectacular o golo ao mágico argentino. A Argentina pareceu sempre controlar um jogo que no geral foi pobre (exceptuando os primeiros 15 minutos, muito intensos), culpa de um Verón que foi perdendo frescura e demorou a ser substituído e igualmente devido à fraca capacidade da Nigéria em criar perigos de maior à selecção sul-americana. No final, resultado justo.
Melhor em campo: Jonas Gutierrez
Arbitragem: Excelente


Argélia 0 - 1 Eslóvenia

Jogo muito pobre em termos de espectáculo para o qual em muito contribuiu a postura defensiva de ambas as equipas. A Argélia, com um esquema que privilegiou o jogo de contra-ataque, não soube aproveitar as debilidades na construção de jogo dos eslovenos, que tinham nos seus médios ofensivos as suas melhores unidades. Apesar de conseguirem estancar bem o ataque esloveno, os argelinos nunca se mostraram perigosos e além disso, foram também infantis em dois momentos que definiram a partida: a expulsão de Ghezzal e o frango de Chaouchi. Aproveitaram bem os eslovenos para somar 3 pontos e colocar em causa o lugar de americanos ou ingleses na fase seguinte da prova.
Melhor em campo: Suler
Arbitragem: Segura


Alemanha 4 - 0 Austrália

Jogo prático da Alemanha, procurando sempre a subida dos alas no apoio ao ataque ao mesmo tempo que tentava abrir a lata pelo centro através das desmarcações de Schweinsteiger ou Ozil. A atitude acutilante dos alemães ajudou em muito na simplificação do seu jogo, no entanto grande parte do trabalho foi amplamente facilitado por uma irreconhecível Austrália, muitíssimo longe da selecção que deslumbrou em 2006. Habituado a jogar num britânico 4x4x2, o seleccionador australiano resolveu inventar e pôs 6 médios em campo (!) numa tentativa de neutralizar a capacidade criativa dos alemães. Além de ter falhado completamente nessa missão (algo que o resultado traduz), obrigou ainda alguns dos seus melhores jogadores a trabalho defensivo desnecessário como Cahill, que nessa situação viu um cartão vermelho por uma entrada que, se jogasse na sua zona habitual, nunca teria feito. Assim, além da pesada derrota (que poderia ter sido ainda pior), a Austrália vê-se ainda sem o seu melhor jogador para o resto da fase de grupos. Quanto à Alemanha, exibição prática, boas transições, excelente atitude e acima de tudo, grande organização táctica.
Melhor em campo: Ozil
Arbitragem: Fraca


Holanda 2-0 Dinamarca

A selecção laranja começou da melhor forma o Mundial 2010, para o qual é uma das não-tão-claras favoritas. Se na primeira parte o jogo foi de receio de parte a parte, a segunda começou com o golo holandês, após infantilidades sucessivas da defesa dinamarquesa. Tendo que reagir, a Dinamarca jogou as suas cartas (Gronjkaer e Eriksen) mas o resultado saldou-se na perda da capacidade em criar perigo, aproveitado pela Holanda para acelerar a sua manobra ofensiva (ajudada pela irreverência de Elia) e assim chegar, naturalmente, ao segundo e decisivo golo por Kuyt, crónico jogador do sítio certo à hora certa. Não foi uma exibição brilhante da Holanda, mas chegou para ganhar o adversário teoricamente mais complicado do grupo.
Melhor em campo: Van Bommel
Arbitragem: Mediana


Itália 1 - 1 Paraguai

A squadra azzurra começa o Mundial a tropeçar, algo habitual nas suas andanças pelo Mundial. Abençoada por um grupo facílimo, a Itália só perdendo o jogo de hoje é que poderia ter dificuldades de maior na qualificação para a fase seguinte. É certo que não o perdeu, mas também não esteve muito longe disso, pois não fosse a falha do guarda-redes Villar, estaríamos agora a falar de uma grande vitória dos sul-americanos. O Paraguai foi igual a si próprio nestes torneios: duro de roer, rezingão, sem medo da luta mas sempre com percalços fatais lá atrás. Acredito que o Paraguai passará este grupo, no entanto terão que mudar alguma coisa frente à Eslováquia. Já a Itália tem que mudar mais ainda, pois apesar da vontade que demonstrou depois de estar em desvantagem, falta claramente criatividade no meio-campo e concentração defensiva a esta selecção.
Melhor em campo: Enrique Vera
Arbitragem: Boa


Brasil 2 - 1 Coreia do Norte

Jogo mais tenso do que seria suposto, fruto de um Brasil pouco imaginativo e de uma Coreia do Norte com garra e praticamente intransponível na defesa. Maicon, já na segunda parte, conseguiu abrir a lata com um golo só ao alcance dos predestinados, para depois Elano, após boa combinação, fazer o 2-0 e selar a vitória canarinha, que ainda passou por apuros após o reduzir da vantagem por parte dos norte-coreanos que ainda tiveram nos pés outra oportunidade para chocar o mundo. Não foi desta, mas pede-se a Portugal que mantenha concentração máxima no seu jogo contra os asiáticos, de forma a não repetir 2002, onde também uma selecção asiática nos estragou os planos.
Melhor em campo: Maicon
Arbitragem: Mediana


Portugal 0 - 0 Costa do Marfim

Vi o jogo a espaços e o que se pode concluir é que nenhuma selecção queria perder. Os ataques das equipas foram nulos, embora tenha estranhado mais a atitude dos africanos que dos europeus, pois a Costa do Marfim tem um ataque mais forte e mais combativo que o português e ainda assim, preferiu não usá-lo, quase de certeza por medo do contra-ataque português. Talvez o remate ao poste de Ronaldo aos 15 minutos de jogo tenha tirado as ideias de ataque constante aos costa-marfinenses, acabando estes por perder uma boa oportunidade de "matar" o grupo G. Já de Portugal, não se pode dizer o mesmo, pois ao contrário da Costa do Marfim, os navegadores não têm uma equipa coesa, tendo sim e ao invés uma equipa com uma excelente unidade aqui e uma mediana acolá. Muito longe de um ataque que se pode dar ao luxo de alinhar Drogba, Dindade, Kalou, Touré e Zokora. Oportunidade de ouro perdida pela Costa do Marfim, empate com sabor de missão cumprida de Portugal.
Melhor em campo: Zokora
Arbitragem: Mediana

Monday, May 24, 2010

Portugal 0 - 0 Cabo Verde: Análise


Portugal fez hoje o primeiro teste rumo ao Mundial da África do Sul e a coisa não correu lá muito bem, aliás, tratou-se de uma clara demonstração do que está mal na selecção, o que tem o seu óbvio lado negativo, mas que por outro lado pode ser visto também de forma positiva.

Do lado negativo, a cerca de 3 semanas do Mundial a selecção mostra uma fragilidade ofensiva fora do normal. Os extremos até funcionam, mas na área não há quem seja capaz de se movimentar de forma ideal para marcar os golos. Tanto a necessidade exagerada de Ronaldo querer participar no jogo ofensivo como a má forma de Liedson e a lentidão de Hugo Almeida são factores que têm que ser trabalhados de forma rápida e eficaz para que não sejam esses mesmos factores os motivos de um falhanço no Mundial que parece mais realizável do que seria suposto. Ainda do lado negro da força portuguesa, Deco está a anos-luz do mágico que encantou o Porto. É hoje um jogador lento, em claro declínio e a pensar mais naquilo que ainda pode ganhar monetariamente do que desportivamente. Carlos Martis ou Hugo Viana têm lugar de caras no lugar de Deco e Queiroz será responsabilizado pelo insucesso da sua escolha. O pior mesmo é sabermos desde já que o seleccionador nacional continuará a apostar no luso-brasileiro que pouco ou nada trará a Portugal. Por bem da selecção das quinas, seria bom que Deco se lesionasse ou não pudesse ir ao Mundial, e digo isto de forma triste, pois não desejo a dor a ninguém, mas não vejo outra forma de Queiroz corrigir a tempo o seu erro na convocatória.

Passando ao lado positivo do jogo, este foi um bom teste para demonstrar tudo o que está mal, logo dando à equipa técnica os sintomas da doença de forma a que se possa remediar ou mesmo curar a tempo do Mundial começar. E isto é tudo o que de positivo este jogo teve no plano técnico-táctico. No plano dos jogadores, destaque para três unidades:

O Bom: Fábio Coentrão
Tinha dúvidas se o benfiquista teria a capacidade necessária para fazer na selecção o que faz no seu clube e hoje ficou provado que realmente é capaz. Com ele na defesa em vez de Duda, Portugal ganha mais coesão defensiva, mais apoio ao ataque, mais chegada à linha e mais juventude. Perde apenas em experiência, mas isso é o menos.

O Mau: Deco
Já falei dele anteriormente e não me vou alongar muito mais: não dá à selecção aquilo que devia dar. É um campeão, mas não o vejo a fazer a diferença na África do Sul.

O Vilão: Cristiano Ronaldo
Já vai sendo hábito que Ronaldo se agarre demasiado à bola, participe da pior forma na construção do ataque, que se mostre ansioso e revoltado e adicione-se agora, que tente fazer golos com a mão como se tivesse piada na sua situação. Acho Ronaldo um fora-de-série e penso que lhe falta um golo nas Selecção para acalmar as ideias e voltar a fazer a diferença da melhor forma que o faz no seu clube: encantando a plateia e fazendo golos e jogadas magníficas.

Saturday, May 22, 2010

Notas da grande final: Bayern 0 - 2 Inter


Milito. O Homem do jogo. O avançado do momento. Messi é grande, mas Milito mostrou-se maior que o pequeno argentino nos últimos 3 jogos do Inter marcando 4 golos que valeram 3 títulos. Sensacional!

Mourinho. És Grande Mourinho! Igualou em menos de 10 anos o número de Champions conquistadas por Ferguson em mais de 30. Tem um dom. Não é defensivo, mas sim ganhador. Entrou na história do Porto, Chelsea e agora do Inter. Mesmo que encerrasse amanhã a carreira de treinador seria sempre dos mais vitoriosos da história do futebol.

Zanetti. Lembro-me bem do Inter nos anos 90 e o martírio pelo qual passava o argentino, sempre capaz de tudo por uma equipa que raramente o acompanhava. Metia pena vê-lo lutar de forma tão inglória. Hoje é rei na Europa, algo que se sempre mereceu ser.

Robben. O que disse sobre Zanetti vale para Robben. Merecia mais, pois correu e tentou todo o jogo, mas hoje não era a sua noite. Hoje, mesmo que não tenha sido decisivo, provou que é um fora-de-série.

Bayern. Foram dos vencidos mais honrados que vi nos últimos anos. Aplaudiram a consagração do rival, revelaram grande cordialidade na hora da derrota e, apesar da tristeza, foram certamente campeões do fair-play.

Apostas para o Mundial 2010: As Decepções

A minha maior dificuldade para a escolha das selecções que desiludirão no Mundial prende-se com o facto de já ter colocado Portugal e Argentina no lote das incógnitas, visto que, após o anúncio dos 23 convocados, tanto por Queiroz como por Maradona, tenho que reconhecer que dificilmente estas duas selecções farão um bom campeonato. É bem verdade que têm os 2 melhores jogadores do Mundo nas suas fileiras mas, tirando os extremos em Portugal e os atacantes na Argentina, estas selecções passam ao lote da quase vulgaridade. Assim, e como no que está feito não se pode mexer, segue-se então a minha aposta para as selecções que, com grande certeza minha, vão falhar no Mundial:

Holanda
Parte como uma das favoritas aos lugares do pódio mas penso que não chegará lá. Parte num grupo acessível tendo em conta a boa campanha de apuramento e o bom momento da equipa, contudo penso que quando chegar a fase a eliminar, a Holanda cairá imediatamente, tal como o tem feito nos últimos torneios. Não lhe falta qualidade nos jogadores, mas falta-lhe liderança no banco.

Pontos fortes: Robben num excelente momento de forma, aliado à recuperação de Van Persie. Sneidjer, Van Bommel e Kuyt têm todos uma força de vontade capaz de derrubar as barreiras mais difíceis. Suplentes jovens e de grande valor, com capacidade de dar algo mais à equipa.
Pontos fracos: Van Marwijk tem sido consensual mas ainda não teve qualquer mata-mata como prova do seu valor. É uma selecção em fase de rejuvenescimento e a aposta na juventude pode ser perigosa, tal como aconteceu no Euro 2008. Exceptuando Robben e Sneidjer, os jogadores mais importantes da Holanda a jogar no estrangeiro tiveram uma época muito pobre.

França
Tal como Portugal a França cometeu o erro de anunciar antes do torneio começar o novo treinador da selecção. Como se viu pelo exemplo de Scolari no Euro 2008, a coisa não correu muito bem. Além disto, a selecção francesa, preparada para as fases finais, parece chegar à África do Sul sem grandes mudanças respectivamente a 2008, o que pode por um lado é positivo pois há uma ideia de equipa e de plantel, se bem que pelo outro lado pode potenciar a acomodação de certos jogadores mais experientes.

Pontos fortes: Ribéry está a recuperar a chama que mostrou nos primeiros tempos na Alemanha, assim como Anelka, que parece viver uma nova juventude. A experiente defesa é das melhores do Mundial. Lloris oferece garantias na baliza que nem Barthez conseguiu dar aos franceses.
Pontos fracos: Domenech é o grande ponto fraco desta equipa. A sua teimosia e má-disposição constante (ou má educação, como se queira) não ajudam em nada esta selecção. Ainda que seja muito boa, falta na defesa um líder natural como Desailly ou Blanc. Benzema não teve a melhor das temporadas, mas é a opção natural para substituir Anelka ou Henry.

Camarões
Tal como na recente CAN não me parece que esta selecção chegue muito longe. Pode até jogar em casa e pode até ter nas suas fileiras dos melhores jogadores africanos da actualidade, contudo falta-lhe a continuidade necessária para se apresentar como candidato a uma fase avançada da competição. Nos momentos decisivos esta selecção costuma dar tudo por tudo, no entanto sofre de um terrível síndrome de superioridade face a adversários teoricamente mais fracos. Não me admirará nada se ganhar à Holanda e perder frente ao Japão ou Dinamarca.

Pontos fortes: Eto'o é dos melhores avançados do mundo e chegará com a moral em alta ao Mundial. Alex Song e o veteraníssimo Rigobert Song oferecem a esta selecção uma solidez que falta a outras selecções africanas. Paul Le Guen é uma real mais-valia para o combinado dos Camarões.
Pontos fracos: Os nomes não ganham jogos, mas é bem verdade que há muitos jogadores de escalões secundários nesta equipa, o que se traduz em ausência de opções reais para a equipa base. As faixas laterais desta selecção aparentam ser de muito fraco nível.


África do Sul
O país organizador deste Mundial deve a si mesmo uma boa participação na prova de forma a que o Mundial não caia no esquecimento colectivo, levando a que boa parte dos jogos decisivos se joguem em estádios vazios. Os jogos de preparação têm sido um cruel atestado de fraco nível futebolístico a esta selecção africana. Os bons jogadores no estrangeiro são poucos e o treinador caiu um bocado de pára-quedas. Espera-se no entanto que, tal como em 2002, o público e as arbitragens favoreçam a equipa organizadora. Pessoalmente acho que nem assim chegam muito longe.

Pontos fortes: o jogar em casa é o ponto mais forte desta equipa, o que não é definitivamente bom sinal. Mokoena, Piennar e McCarthy terão que estar em dia sim se a África do Sul quiser chegar no mínimo à 2ª fase. Parreira é, tal como Le Guen nos Camarões, uma mais-valia.
Pontos fracos: No geral, fraco nível do onze e péssimo nível dos suplentes. No particular falta experiência competitiva a cerca de dois terços do plantel.

Wednesday, May 19, 2010

O rídiculo

Maradona prosseguiu hoje o seu processo de suícidio desportivo ao anunciar a lista definitiva para o Mundial 2010. Se, efectivamente, são estes os representantes albicelestes no Mundial, Maradona comete assim vários e graves erros que dificilmente serão desculpados pelo povo que hoje, ainda ama o astro sul-americano.

A convocatória

Guarda-redes:
Andujar (Catania/ITA)
Sérgio Romero (AZ Alkmaar/HOL)
Diego Pozo (Colón)

Defesas:
Ariel Garce (Colón)
Clemente Rodriguez (Estudiantes)
Burdisso (Roma/IA)
Walter Samuel (Inter/ITA)
Otamendi (Vélez Sarsfield)
Demichelis (Bayern/ALE)
Heinze (Marselha/FRA)

Médios:
Mascherano (Liverpool/ING)
Jonas Gutierrez (Newcastle/ING)
Mario Bolatti (Fiorentina/ITA)
Juan Veron (Estudiantes)
Javier Pastore (Palermo/ITA)
Maxi Rodriguez (Liverpool/ING)
Di Maria (Benfica/POR);

Avançados:
Aguero (Atlético de Madrid/ESP)
Higuain (Real Madrid/Esp)
Messi (Barcelona/ESP)
Diego Milito (Inter/ITA)
Tevez (Manchester City/ING)
Martin Palermo (Boca Juniors).

Os erros

Vou deixar o pior para o fim. Por agora falarei apenas no que é bom, isto é, o ataque da Argentina. Já aqui neste blog tinha sido referido que a Argentina apresenta-se na África do Sul com um ataque de sonho, do qual fazem parte o melhor do Mundo (Messi), o futuro melhor do Mundo (Agüero), um dos avançados mais em forma do momento (Milito), o jogador que qualquer treinador - excepto Ferguson - gosta de ter na equipa (Tévez) e um dos grandes ídolos do Real Madrid (Higuaín). Poderia aqui figurar um dos melhores avançados europeus da actualidade (Lisandro) mas Maradona optou por um avançado em declínio de carreira mas do seu clube do coração (Palermo). Começa aqui um dos muitos erros cometidos por Maradona.

Na defesa a aposta é clara na veterania (Burdisso, Samuel, Heinze e Demichelis) o que torna ainda mais inexplicável a ausência de Zanetti, do qual mais a frente voltaremos a falar. Preenchem as vagas dois jogadores que disputam o campeonato argentino (Ariel Garce e Clemente Rodriguez), dos quais se espera que tenham problemas de adaptação aos tacticamente evoluídos jogadores europeus. Recuando um pouco mais, o guarda-redes titular será Romero ou Andujar, ambos jogadores de nível secundário, muito longe dos guarda-redes das selecções rivais que defendem os melhores clubes europeus (Júlio César, Casillas, Buffon ou Lloris).

Passamos agora ao pior: não convocar Cambiasso é quase um crime, mas deixar de fora Lucho Gonzalez é de quem não está a par do futebol actual. Percebo o fascínio de Maradona pelo Calcio, onde jogou e foi estrela, mas dificilmente se percebe como é possível deixar de fora um dos médios mais completos do futebol mundial e campeão em França, apostando ao invés num jogador que não se conseguiu afirmar em Portugal (Bollatti), num campeão da 2ª Liga Inglesa (Gutierrez) ou num velhote (Véron), que apesar de continuar a ser um grande líder, não tem certamente pernas para acompanhar os jovens talentos do Mundial. Até a aposta em Maxi Rodriguez é, no contexto de hoje, muito arriscada, pois saiu do Atlético para se afirmar em Liverpool, falhando claramente nessa mudança. Por fim, Zanetti seria, quanto a mim, um nome que devia figurar em qualquer equipa do planeta devido à continuidade e constância que leva na última década, mas estranhamente não faz parte da lista de Maradona.

Podíamos ainda incluir Aimar, Riquelme, César Delgado ou Zaraté na discussão mas tudo isso são opções que terão a sua explicação quando Maradona tenha que responder pelo fiasco que será a Argentina neste Mundial. Neste momento não dou nada por eles, mas já se sabe como é o futebol...

Sunday, May 16, 2010

Benfica - e depois do título?


O Benfica sagrou-se campeão nacional de futebol com inteiro mérito e justiça. Teve o melhor ataque e a melhor defesa da prova, um jogador seu venceu a Bola de Prata, foi o clube com mais vitórias e menos derrotas e o que praticou melhor futebol.
Se é verdade que a equipa encarnada se destacou pela regularidade e versatilidade dos seus jogadores, também não é menos verdade que alguns se destacaram dos demais.

David Luiz, para mim o jogador deste campeonato, foi a personificação do espírito da equipa em campo e quem mais levou para o relvado as ideias de Jorge Jesus: pressão, antecipação ao adversário, disputa dos lances até ao fim, sempre com o ataque nos olhos, alegria a jogar e, como diz o cântico, a "raça, querer e ambição". Di María foi o "fura-defesas" de serviço, com as suas arrancadas em velocidade e assistências mortíferas. Cardozo destacou-se pelos golos que o consagraram melhor goleador da liga, 19 anos depois de Rui Águas. Javi García e Ramires foram, embora de maneiras distintas, os pontos de equilíbrio da equipa. Aimar e Saviola trouxeram a classe que havia faltado em épocas passadas às equipas do Benfica. Fábio Coentrão revelou-se finalmente como jogador de um clube grande, numa notável adaptação a lateral-esquerdo. Foram estes os grandes esteios da equipa encarnada esta temporada, logo seguidos por um lote de quatro jogadores que, pela sua regularidade ou utilidade, deram o seu importante contributo: Luisão, como o sereno patrão da defesa mas capaz de dar o grito de revolta e de alerta à equipa (apenas ofuscado pela grande época de David Luiz); Rúben Amorim, pela sua regularidade exibicional e versatilidade; Carlos Martins, pela garra, capacidade de passe e remate que deu à equipa, nunca se coibindo de assumir as rédeas do jogo e empurrando a equipa para a frente; e Wéldon, por ter sido uma opção mais que válida para o ataque (sobretudo tendo em conta o valor da sua aquisição), chegando mesmo a ser decisivo na ponta final do campeonato.

Por outro lado, toda a gente o afirmou e tem de ser dito mais uma vez: o trabalho de Jorge Jesus foi o grande pilar deste Benfica campeão. Incutiu uma mentalidade atacante, que uma equipa como o Benfica num campeonato como o português só pode ter. Foi capaz de encontrar nuances tácticas que equilibraram a equipa a defender e lhe deram asas para atacar. Deu liberdade a David Luiz para subir no terreno com a bola controlada e criar assim desiquilibrios e linhas de passe que antes não existiam, deixando Luisão como elemento mais recuado e ficando sempre lá atrás, sendo que Javi García se movimentava para colmatar as subidas de David Luiz. "Transformou" com sucesso Fábio Coentrão em lateral-esquerdo, num jogador onde a qualidade já lá estava mas pedia a orientação de um treinador experiente, formando ala esquerda terrível com Angelito Di María, outro jogador que finalmente "explodiu" por virtude de JJ, dando-lhe mais sentido colectivo sem nunca perder a liberdade da acção individual, onde as características do jogador são excepcionais. Pôs (finalmente) a equipa a jogador para Cardozo e o goleador paraguaio correspondeu ao ser o melhor marcador da prova. Teve em Ramires elemento fundamental nas transições defesa-ataque-defesa da equipa, sendo o brasileiro capaz de ocupar as subidas de Maxi Pereira ou Amorim a defender ou sair para o ataque em velocidade. Pôs também a funcionar a dupla Aimar-Saviola, dando as rédeas da equipa ao nº 10 para gerir os ritmos de jogo e jogou com as características do "Conejo" para efectuar movimentações e triagulações a deixar jogadores na cara do golo.

Falta saber agora quem fica e quem sai, para JJ melhor planear a temporada 2010/11, o que provavelmente só acontecerá depois do Mundial da África do Sul. Di Maria e Cardozo são os prováveis candidatos à saída, não excluíndo nomes como David Luiz e Ramires ou mesmo Luisão, Saviola ou Aimar, jogadores que já tiveram propostas em carteira.
Prováveis saídas serão as de Jorge Ribeiro, Luís Filipe, Moreira, Mantorras e Shaffer, aos quais poderá estar associado o nome de Éder Luís e Weldon ou Nuno Gomes, sendo que o clube deverá equacionar os empréstimos de Fellipe Menezes, Miguel Vítor, Urreta e mesmo Roderick Miranda. A renovação de Quim é, para já, ainda uma incógnita.
Não esquecer que o clube tem assegurados os passes do avançado Jara, de Nicolas Gaitán e de Fábio Faria para a próxima época.

Dando uma última opinião a nível de reforços, estes estão dependentes, como é óbvio, da saída deste ou daquele jogador, ainda assim o Benfica deveria reforçar-se na baliza, isto apesar da renovação ou não de Quim, e procurar finalmente um guarda-redes de qualidade indiscutível para ser titular pela selecção do seu país e dar tranquilidade à equipa, sobretudo nas bolas paradas e nos cruzamentos para a área, situações onde se sabe que os "keepers" do clube e os portugueses em geral têm dificuldades. Júlio César é talvez a única garantia de permanência. Na lateral direita falta uma alternativa a Maxi (Patric foi emprestado e não se sabe ao certo o seu real valor) pois Rúben Amorim cumpre a posição sem qualquer problema mas ainda assim continua a ser uma adaptação. Na esquerda, de César Peixoto fica a ideia de ainda não ser uma opção sólida, apesar de ter qualidade mais que suficiente para tal, sendo que foi uma lacuna colmatada com a boa adaptação de Coentrão ao lugar. Luisão, David Luiz e Sidnei estarão garantidos para a próxima época, faltando saber qual dos jovens fica, se Miguel Vítor se Roderick. No meio-campo, Rúben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Javi Garcia, Airton e Aimar deverão todos ficar, sendo que o Benfica se deveria reforçar para o "miolo", alguém que possa ser opção a Ramires, um médio todo-o-terreno, que possa libertar Carlos Martins para as funções de "10". Nas alas, eminente que está a saída de Di Maria (acautelada com a aquisição de Gaitán) falta alguém que possa fazer de extremo puro, sobretudo pela ala direita, quando as exigências do jogo assim o determinarem, situação que tem sido debelada pela classe de Ramires sobre a ala destra do meio-campo. Para o ataque, as coisas estão mais incertas, dependendo da saída de Cardozo e de nomes como Nuno Gomes, Mantorras, Éder Luis e Weldon. É provável que a sair Tacuara, a aposta seja feita no jovem Kardec para acompanhar Saviola, dado o tipo de jogador, não sendo de descartar a aquisição (para além de Jara) de um avançado capaz de ser goleador de serviço.

Veremos como JJ e LFV arquitectam a próxima época dos encarnados, quer em termos de colmatar eventuais saídas com jogadores de real categoria, quer em termos da continuação do modelo de jogo e da regularidade exibicional dos jogadores que se vão manter no plantel.